Maternidade da UFRJ consolida pioneirismo em apoio ao luto gestacional

Claudio Vasconcelos
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A Maternidade Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ME-UFRJ), na zona sul da capital fluminense, tornou-se referência nacional no acolhimento a famílias que perdem bebês durante a gestação, no parto ou nos primeiros dias de vida. A apresentação das práticas ocorreu em outubro, mês que passou a marcar oficialmente o luto gestacional, neonatal e infantil no país.

Atendimento humanizado previsto em lei

Desde agosto de 2025 está em vigor a Política Nacional de Humanização do Luto Materno e Parental, que determina a oferta de um último momento com o bebê, possibilidade de registro fotográfico, coleta de impressões dos pés, inclusão do nome da criança na certidão de óbito e opção de sepultamento ou cremação. A unidade da UFRJ cumpre essas diretrizes há pelo menos 15 anos.

Espaço reservado para a despedida

A despedida acontece no “morge”, ambiente decorado especialmente para recepcionar as famílias. A psicóloga Paula Zanuto relatou um dos atendimentos mais recentes: um bebê nascido a termo, que viveu apenas um dia, foi vestido pelo pai e recebeu carinho da avó antes do sepultamento. Corações de pano confeccionados por voluntárias são distribuídos em pares — um fica com a família e o outro segue junto ao corpo.

Estrutura e protocolos

Para evitar o contato entre puérperas enlutadas e mães de recém-nascidos vivos, a ME-UFRJ mantém a Enfermaria da Finitude. Segundo a chefe da Unidade de Atenção Psicossocial, Daniela Porto Faus, a equipe respeita o tempo das famílias tanto no centro obstétrico quanto na UTI neonatal. Quando a morte é inevitável, o bebê é colocado no colo da mãe para que o óbito ocorra em contato com a família.

Apesar dos avanços, a chefe da Divisão de Gestão do Cuidado, Andrea Marinho Barbosa, reconhece limitações físicas: o espaço do morge é pequeno e há dificuldade para oferecer acompanhamento domiciliar após a alta. Parcerias com outras unidades e organizações do terceiro setor estão em estudo, conforme prevê a Lei 15.139.

Apoio psicológico e musicoterapia

Além de atendimentos presenciais e por telefone, a maternidade promove sessões de musicoterapia para pacientes e profissionais de saúde. A diretora da unidade, Penélope Saldanha, destaca que a implementação ampla da nova política exige mudança cultural semelhante à ocorrida quando as maternidades passaram a permitir a presença de acompanhantes no parto.

Referência regional

A ME-UFRJ atende pré-natais de alto risco, partos de emergência e casos de doença trofoblástica gestacional, funcionando como referência para seis unidades básicas de saúde do município e recebendo pacientes de todo o estado.

Com iniciativas que antecedem a legislação, a maternidade procura ampliar espaços e fortalecer a rede de apoio para garantir que o acolhimento ao luto gestacional seja efetivo e humanizado.

Fonte: Agência Brasil

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Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.