Historiadora israelense diz que sociedade deve defender democracia após cessar-fogo

Robson Alves
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São Paulo – A historiadora e escritora israelense Fania Oz-Salzberger afirmou que a população de Israel precisará de “muito trabalho e esforço” para consolidar a paz e proteger a democracia após o cessar-fogo entre Israel e Hamas. Em entrevista à TV Brasil, concedida durante sua participação na 4ª edição do Festival Literário do Museu Judaico de São Paulo, ela defendeu o engajamento da sociedade civil e fez duras críticas ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

Filha do romancista Amós Oz e professora emérita da Universidade de Haifa, Fania classificou o atual gabinete israelense como “o pior que o país já teve”, composto “exclusivamente por membros da direita e da extrema direita” acolhidos por Netanyahu “por sobrevivência política”. Segundo ela, “não se pode confiar” no governo, posição que, diz, é compartilhada pelas famílias dos reféns sequestrados pelo Hamas.

Preocupação com as eleições

A historiadora acredita que o acordo de cessar-fogo, mediado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, poderá impactar as próximas eleições em Israel. Organizações da sociedade civil já monitoram possíveis tentativas do primeiro-ministro de postergar o pleito sob alegação de “situação de emergência” ou mesmo de fraude eleitoral. “Estamos prontos para defender as próximas eleições, que são cruciais”, declarou, citando pesquisas que apontam derrota de Netanyahu e de sua coalizão.

Ajuda a Gaza e solução de dois Estados

Fania espera que o cessar-fogo se mantenha, permitindo a entrada de ajuda humanitária em Gaza e a devolução de “mais de uma dúzia” de corpos de reféns já assassinados. Ela defende a solução de dois Estados como “a melhor alternativa” para a convivência entre israelenses e palestinos e propõe um governo palestino moderado em Gaza com apoio internacional.

Críticas a Netanyahu

Para a pesquisadora, Netanyahu é “um criminoso”, atualmente réu em três processos por corrupção, além de enfrentar novas investigações por abuso de confiança. Ela também lamentou o avanço de posições radicais em Israel, que, segundo avaliou, negam direitos às minorias e impõem visão única do judaísmo.

Apesar do cenário adverso, Fania demonstrou otimismo ao mencionar o Brasil como exemplo de preservação democrática: “É muito bom estar no Brasil; o país me dá esperança sobre o futuro da nossa luta”.

Fonte: Agência Brasil

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.