Vacina contra herpes-zóster pode reduzir risco de AVC e infarto, aponta meta-análise

Claudio Vasconcelos
4 Min Leitura

A imunização contra o herpes-zóster apresentou queda de até 18% na ocorrência de doenças cardiovasculares graves, como acidente vascular cerebral (AVC) e infarto, entre adultos vacinados. O dado faz parte de uma revisão sistemática e meta-análise divulgada neste sábado (30) durante o Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia de 2025, em Madri.

Detalhes do estudo

Intitulado “Eficácia da vacina contra herpes-zóster em eventos cardiovasculares – uma revisão sistemática da literatura e meta-análise”, o trabalho reuniu 19 pesquisas já publicadas sobre o tema. O autor é o médico Charles Williams, diretor associado global da biofarmacêutica GSK, fabricante de imunizantes contra o vírus Varicela-Zóster.

A análise apontou que o risco de eventos cardiovasculares caiu 18% em adultos de 18 a 50 anos que receberam a vacina e 16% em pessoas acima de 50 anos. Em números absolutos, houve redução de 1,2 a 2,2 episódios para cada mil vacinados por ano. Dos 19 estudos avaliados, nove contavam com 53,3% de participantes do sexo masculino, e sete relataram idades médias entre 53,6 e 74 anos.

Vacinação como pilar de prevenção

A Sociedade Europeia de Cardiologia já inclui as vacinas como “quarto pilar” na prevenção de doenças cardiovasculares, ao lado de medicamentos anti-hipertensivos, redutores de colesterol e tratamentos para diabetes.

Apesar dos achados, Charles Williams destaca a necessidade de novas pesquisas que confirmem se a imunização contra o herpes-zóster está, de fato, ligada a menor incidência de infartos e AVCs.

Opinião de especialistas

O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, avalia que a relação entre vacinas e redução de eventos cardíacos já reúne indícios em diferentes imunizações, como a da gripe. Ele ressalta, contudo, que fatores como obesidade, hipertensão e diabetes precisam ser isolados para verificar o real impacto da vacina do zóster sobre o coração.

Situação no Brasil

No país, a vacina contra o herpes-zóster está disponível apenas na rede privada. Em abril, o Ministério da Saúde pediu à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) uma análise de custo-efetividade para possível inclusão no calendário público. Não há prazo para parecer.

O esquema vacinal requer duas doses, aplicadas entre dois e seis meses, e custa em média de R$ 1,7 mil a R$ 2 mil na rede particular, com cada injeção variando entre R$ 850 e R$ 1 mil.

Sobre o herpes-zóster

O vírus Varicela-Zóster, responsável pela catapora, pode permanecer inativo no sistema nervoso e reativar-se na vida adulta, causando o zóster, conhecido como “cobreiro”. Estima-se que um em cada três indivíduos apresente o problema ao longo da vida, sobretudo idosos ou pessoas com baixa imunidade.

Os primeiros sintomas incluem dor neuropática, formigamento e ardor antes do aparecimento de lesões cutâneas, mais comuns nas regiões torácica e cervical. Complicações podem envolver neuralgia pós-herpética, herpes oftálmico e, segundo estudos, inflamação de vasos sanguíneos que favorece AVC.

Impacto das doenças cardiovasculares

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que as enfermidades cardíacas seguem líderes em mortalidade global, correspondendo a 31% dos óbitos. Em 2016, 17,9 milhões de pessoas morreram por causas cardiovasculares; 85% dessas mortes resultaram de infartos ou AVCs.

Fonte: Agência Brasil

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Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.