Fatores de risco evitáveis respondem por quase 60% dos casos de demência no Brasil, aponta estudo

Claudio Vasconcelos
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São Paulo – Levantamento coordenado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) indica que 59,5% dos casos de demência registrados no Brasil podem ser atribuídos a fatores de risco modificáveis, passíveis de prevenção ou controle por meio de políticas públicas e ações individuais.

A pesquisa, publicada na sessão Regional Health Americas da revista The Lancet, analisou dados do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil), conduzido pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O porcentual brasileiro supera a média mundial, estimada em 45%.

Três fatores concentram maior impacto

Os pesquisadores identificaram que a baixa escolaridade no início da vida responde por 9,5% dos casos, a perda de visão não tratada por 9,2% e a depressão na meia-idade por 6,3%. Segundo a geriatra e coautora Cláudia Suemoto, menos anos de estudo reduzem a chamada reserva cognitiva, enquanto problemas de visão e depressão diminuem estímulos cerebrais, favorecendo o desenvolvimento da doença.

Outros fatores de risco identificados

Além dos três principais, o estudo relaciona mais 11 condições modificáveis à demência:

  • isolamento social;
  • poluição do ar;
  • traumatismo cranioencefálico;
  • hipertensão arterial;
  • diabetes;
  • obesidade;
  • inatividade física;
  • tabagismo;
  • consumo excessivo de álcool;
  • perda auditiva;
  • colesterol elevado.

Desigualdades regionais e raciais

De acordo com o estudo, o impacto da baixa escolaridade e da perda visual é maior nas regiões mais pobres e entre pessoas negras, revelando o peso das desigualdades socioeconômicas e do acesso limitado a educação e cuidados de saúde.

Recomendações

Os autores defendem que estratégias públicas priorizem o aumento da escolaridade desde a infância, a ampliação do atendimento oftalmológico e a oferta de serviços de saúde mental, especialmente para grupos vulneráveis. A geriatra Cláudia Suemoto lembra que o envelhecimento é o principal fator de risco não modificável, mas a prevenção deve começar cedo e se estender por toda a vida.

Com informações de Agência Brasil

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Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.