São Paulo – O defensor Gustavo Marques, do Red Bull Bragantino, publicou pedido de desculpas neste domingo (22) depois de ter questionado a presença da árbitra Daiane Muniz no jogo em que a equipe de Bragança Paulista perdeu para o São Paulo por 2 a 1, no sábado (21), pelas quartas de final do Campeonato Paulista.
Na saída do gramado, ainda durante entrevista à emissora TNT, o jogador afirmou que partidas contra clubes de grande porte, como São Paulo, Palmeiras ou Corinthians, não deveriam ser comandadas por mulheres. “Era nosso sonho chegar à semifinal, ou até à final, mas ela acabou com nosso jogo”, declarou, antes de completar que “a Federação Paulista tem que olhar para jogos desse tamanho e não colocar uma mulher”.
A repercussão foi imediata. Horas depois, pelas redes sociais, Gustavo Marques reconheceu o erro: “Estava de cabeça quente e muito frustrado pelo resultado da nossa equipe e acabei falando o que não deveria. Isso não justifica minha atitude e peço desculpas a todas as mulheres, em especial à Daiane. Espero sair desse episódio uma pessoa melhor. Prometo aprender com esse erro”, escreveu.
Posicionamento do clube
O Red Bull Bragantino divulgou nota oficial na qual repudia a fala do atleta e reforça o pedido de desculpas à árbitra. O comunicado destaca que o clube “não compactua com qualquer manifestação machista” e informa que analisará nos próximos dias qual punição interna será aplicada ao zagueiro. A direção frisou que, apesar da frustração pela eliminação, “nada justifica o que foi dito”.
Federação Paulista repudia declarações
A Federação Paulista de Futebol (FPF) também se manifestou. Em nota, classificou o pronunciamento de Gustavo Marques como “primitivo, machista, preconceituoso e misógino”, ressalvando que tais atitudes são incompatíveis com os valores do futebol e da sociedade. A entidade informou que enviará o caso à Justiça Desportiva para as providências cabíveis e destacou ter orgulho de manter 36 mulheres em seu quadro de arbitragem, número que pretende ampliar.
A partida de sábado, disputada no Morumbi, selou a eliminação do Bragantino no Estadual. O São Paulo avançou às semifinais com gols de seus atacantes, enquanto o time de Bragança encerrou a campanha após ver a arbitragem validar o placar de 2 a 1 que lhe foi desfavorável.
O episódio reacendeu o debate sobre respeito às mulheres no esporte e reforçou a necessidade de combate ao machismo nos gramados, tema cada vez mais central entre clubes, federações e torcedores.
Com informações de Agência Brasil
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