Depois de anos em que os modelos sem fio dominaram o consumo de áudio pessoal, fones de ouvido com cabo voltam a ocupar espaço relevante nas prateleiras e no dia a dia de consumidores em vários países. A tendência, destacada em reportagem exibida pela Band, mostra que o segmento, dado como ultrapassado após a remoção da entrada P2 do iPhone em 2016, registra crescimento acelerado nas vendas.
Indicadores de mercado
Levantamento da empresa de análise Circana aponta que, após cinco anos consecutivos de queda, as compras de fones com fio dispararam na segunda metade de 2025. Nos primeiros 45 dias de 2026, a receita do setor avançou 20% em comparação ao mesmo período do ano anterior, sinalizando mudança de comportamento entre diferentes faixas etárias.
Por que os usuários voltam ao cabo?
Para parte do público, a resposta está na qualidade sonora. O editor especial do site especializado SoundGuys, Chris Thomas, afirma que produtos com fio oferecem, pelo mesmo preço, desempenho superior aos equivalentes Bluetooth vendidos em lojas convencionais. Ele lembra que o sinal sem fio pode sofrer interferências e perda de dados, enquanto a conexão física garante entrega de áudio estável.
Há, ainda, o fator conveniência. Baterias descarregadas, dificuldades de pareamento e extravio de pequenos earbuds apareceram como queixas frequentes nas entrevistas realizadas pela reportagem. A assistente social Aryn Grusin, residente em Portland (EUA), relata ter adotado o cabo há alguns meses: “Gosto da sensação de estar conectada; é reconfortante”, disse.
Aspecto cultural e estético
O retorno dos fios ganhou contorno de declaração de estilo. Perfis nas redes sociais, como o Wired It Girls, exibem celebridades – entre elas Ariana Grande e Charli XCX – usando cabos pendurados como acessório de moda. Em outra ponta, a atriz e diretora Zoë Kravitz criticou publicamente o Bluetooth, apontando falhas em momentos cotidianos.
Nessa onda “retrô”, fones com fio se juntam a câmeras antigas, fitas cassete e DVDs, produtos que ressurgiram na esteira da preocupação com avanços tecnológicos acelerados, especialmente em inteligência artificial. “Muita gente sente que a tecnologia está indo rápido demais e busca refúgio em aparelhos mais simples”, avalia Grusin.
Desafios de compatibilidade
A ausência de conector tradicional em smartphones recentes obriga o uso de adaptadores ou a compra de modelos USB e Lightning. Mesmo assim, o interesse persiste. Funcionários de lojas Apple relatam aumento nas vendas de fones com fio, enquanto boutiques especializadas, como a Audio 46, em Nova York, oferecem cabos reforçados e drivers de alta fidelidade que chamam atenção até de audiófilos.
Segundo a vendedora e avaliadora Delaney Czernikowski, muitos clientes chegam preocupados em perder a liberdade do Bluetooth, mas descobrem que podem usar ambas as tecnologias conforme a situação. “Não é preciso abrir mão de nada; basta escolher o que faz mais sentido em cada momento”, resume.
Embora a conveniência do sem fio permaneça atraente para parte do público, a combinação de som de melhor qualidade, ausência de latência e simbolismo cultural coloca os fones com fio novamente entre os itens desejados de eletrônicos pessoais, reconfigurando um mercado que parecia consolidado.
Com informações de G1
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