Março, tradicionalmente lembrado como o mês das mulheres, chega acompanhado de estatísticas que exigem atenção redobrada. Dados recentes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que 1.518 mulheres foram vítimas de feminicídio em 2025, o maior patamar desde que o crime passou a integrar o Código Penal. Na prática, quase quatro brasileiras perdem a vida todos os dias apenas por serem mulheres.
O feminicídio, porém, representa apenas o ápice de um cenário mais amplo de agressões. Levantamento do DataSenado indica que cerca de 3,7 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de violência doméstica ou familiar no mesmo ano. A projeção diária impressiona: mais de 10 mil casos registrados a cada 24 horas, equivalentes a 422 ocorrências por hora. Em termos ainda mais diretos, enquanto este texto é lido, mais de 30 mulheres terão sido violentadas no país.
Da violência velada ao ataque público
Especialistas ressaltam que, na maioria das vezes, o crime fatal é precedido por um ciclo que começa com ofensas verbais, avança para ameaças, atinge agressões físicas e, em situações extremas, termina em morte. O episódio ocorrido recentemente em Estância, no interior de Sergipe, reforça essa lógica. Em plena via pública e à luz do dia, uma mulher foi brutalmente agredida, gerando indignação nacional e demonstrando que o constrangimento social parece já não conter a violência.
Mesmo sob a constante vigilância de câmeras, celulares e redes sociais, a percepção de impunidade persiste. A noção de autocontenção vinculada à supervisão permanente, discutida por Michel Foucault em “Vigiar e Punir”, parece não impedir que agressores ajam.
Participação masculina é considerada decisiva
Organizações do sistema de Justiça afirmam que o enfrentamento à violência de gênero não se restringe às mulheres. Como a maioria dos agressores é do sexo masculino e os homens ocupam boa parte dos cargos decisórios, lideranças defendem maior envolvimento deles em ações de prevenção, denúncia e suporte às vítimas.
Nesse contexto, a Ordem dos Advogados do Brasil em Sergipe aprovou a Resolução nº 04/2026. O texto estabelece diretrizes internas para promover equidade de gênero, prevenir agressões e fortalecer a participação feminina na advocacia local, sinalizando que o tema deve permanecer na agenda institucional.
Enquanto indicadores se mantiverem elevados, especialistas sustentam que o mês de março deve ir além das homenagens. O objetivo, alertam, é transformar estatísticas alarmantes em compromisso coletivo e permanente de toda a sociedade.
Com informações de Oabsergipe.org
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