A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) manifestou preocupação com os estragos provocados no Palácio de Golestan, em Teerã, durante um ataque aéreo que atingiu a Praça Arag, na capital iraniana. Imagens veiculadas pelas emissoras Record e Band mostraram escombros espalhados no complexo histórico, classificado como Patrimônio Mundial desde 2013.
Em comunicado divulgado nesta terça-feira (3), o órgão das Nações Unidas informou que monitora continuamente a situação do patrimônio cultural no Irã e em outros pontos do Oriente Médio. A entidade disse ter encaminhado às partes envolvidas no conflito as coordenadas geográficas de todos os sítios inscritos na Lista do Patrimônio Mundial, “com o objetivo de evitar qualquer dano potencial”.
O texto lembra que bens culturais contam com proteção do direito internacional, sobretudo da Convenção de Haia de 1954 para a Proteção de Bens Culturais em Caso de Conflito Armado, que também prevê um mecanismo de proteção reforçada.
Palácio simboliza a era Cajar
Considerado uma das joias arquitetônicas de Teerã, o Palácio de Golestan foi erguido durante o Império Cajar e combina técnicas tradicionais persas a influências ocidentais. O conjunto começou a ser utilizado como sede do governo cajar em 1779, quando a dinastia transferiu a capital do país para a atual metrópole. O complexo reúne salões cerimoniais, jardins e salões de espelhos que se tornaram simbólicos da arte persa do século XIX.
Escalada militar
O bombardeio que atingiu o centro histórico ocorreu no sábado (28), quando forças de Israel e dos Estados Unidos atacaram instalações iranianas em meio às negociações sobre o programa nuclear e balístico de Teerã. Foi a segunda ofensiva em oito meses contra o país persa.
Autoridades iranianas confirmaram as mortes do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, e do ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad. Em retaliação, o Irã lançou mísseis contra Kuwait, Catar, Emirados Árabes Unidos e Jordânia, todos com presença militar norte-americana.
A tensão aumentou desde 2018, quando os Estados Unidos se retiraram do acordo nuclear firmado em 2015. Reeleito, o presidente Donald Trump retomou em 2025 a pressão sobre Teerã, exigindo o desmonte do programa nuclear, o fim dos mísseis balísticos de longo alcance e a suspensão do apoio a grupos como Hamas e Hezbollah. Israel apoia essas exigências e alega que o Irã busca armas nucleares; o governo iraniano nega e afirma que seus projetos têm fins pacíficos.
Enquanto não há perspectiva de trégua, a Unesco reitera o apelo para que todos os atores do conflito respeitem os tratados internacionais e poupem o patrimônio cultural das hostilidades.
Com informações de Agência Brasil
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