União Europeia aprova assinatura do acordo de livre-comércio com o Mercosul

Robson Alves
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A Comissão Europeia anunciou nesta sexta-feira (9) que a maioria dos países da União Europeia (UE) autorizou a assinatura do acordo de livre-comércio com o Mercosul, bloco formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

“A decisão do Conselho de apoiar o acordo UE-Mercosul é histórica. A Europa envia um sinal forte”, escreveu a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, na rede social X. Segundo ela, o pacto busca “gerar crescimento, empregos e resguardar os interesses de consumidores e empresas europeias”.

Com o aval dos Estados-membros, Ursula pretende viajar ao Paraguai na próxima semana para formalizar o tratado com os países do Mercosul. O Paraguai ocupa a presidência rotativa do bloco desde dezembro de 2025.

O texto ainda precisa passar pelo crivo do Parlamento Europeu antes de entrar em vigor.

Votação e regras

Para ser aprovado, o acordo necessitava do apoio de pelo menos 15 dos 27 integrantes da UE que, juntos, somem 65% da população do bloco. Polônia, Áustria, França, Hungria e Irlanda votaram contra, informou o ministro polonês da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Stefan Krajewski, também pelo X.

Declarações

Em comunicado divulgado pela Comissão, Ursula von der Leyen destacou “a forte liderança e a boa cooperação” do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva durante a presidência do Mercosul, exercida pelo Brasil entre julho e dezembro de 2025. Ela acrescentou que, em um cenário em que “o comércio é usado como arma”, o entendimento demonstra que “a Europa traça seu próprio curso e permanece como parceira confiável”.

Repercussão no Brasil

No Brasil, autoridades e empresários celebraram a decisão europeia. A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) ressaltou que o acordo cria um mercado de quase US$ 22 trilhões e pode elevar as vendas brasileiras ao bloco europeu em cerca de US$ 7 bilhões.

“Estamos falando de mais de 700 milhões de habitantes e de um PIB próximo a US$ 22 trilhões, atrás apenas dos Estados Unidos (US$ 29 trilhões) e à frente da China (US$ 19 trilhões)”, afirmou, em nota, o presidente da agência, Jorge Viana. Ele também destacou que mais de um terço das exportações brasileiras para a UE corresponde a produtos da indústria de processamento.

Tarifas e setores beneficiados

Pelo acordo, haverá redução imediata de tarifas para máquinas e equipamentos de transporte, como motores e geradores de energia elétrica, autopeças e aeronaves. Também estão previstas oportunidades para couro, peles, pedras de cantaria, facas, lâminas e produtos químicos. Diversas commodities terão tarifas eliminadas gradualmente, dentro de cotas estabelecidas.

A matéria foi atualizada às 14h45.

Fonte: Agência Brasil

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.