O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, e representantes do setor empresarial celebraram nesta sexta-feira, 9 de janeiro, a aprovação preliminar do acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul, cujas negociações começaram há 25 anos. Apesar do resultado positivo entre os Estados-membros, o Conselho da UE ainda não oficializou a assinatura.
“O acordo UE-Mercosul é um marco para a política comercial europeia e demonstra nossa soberania estratégica”, escreveu Merz na rede social X. O líder alemão afirmou ainda que o período de negociação “levou tempo demais” e pediu maior agilidade em futuros processos.
Manifestação de ministros
A ministra das Relações Exteriores da Áustria, Beate Meinl-Reisinger, também comemorou o desfecho, embora seu país tenha votado contra a iniciativa. “Finalmente há maioria entre os Estados-membros para a assinatura com o Mercosul”, declarou. A chanceler acrescentou que esperava o apoio austríaco ao tratado e defendeu a ampliação de acordos comerciais, citando as tratativas com a Índia.
Na Polônia, o ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Stefan Krajewski, confirmou que Áustria, França, Hungria, Irlanda e Polônia se posicionaram contra. “Se a Itália estivesse conosco, o acordo seria bloqueado”, disse. Krajewski ressaltou que o governo polonês prepara mecanismos de proteção e compensação para o setor agrícola.
Reação da indústria automotiva
Em nota, a Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (Acea) classificou o apoio da maioria dos países como “momento marcante”. A entidade prevê redução significativa das tarifas de até 35% aplicadas hoje a veículos europeus, eliminação de barreiras técnicas e fortalecimento das cadeias de suprimento de matérias-primas. A Acea pediu que o Parlamento Europeu ratifique rapidamente o texto.
Próximos passos
Segundo a agência Reuters, os embaixadores dos 27 Estados-membros indicaram suas posições na manhã desta sexta-feira. Cada governo deve confirmar o voto por escrito até as 17h (13h em Brasília). Para avançar, eram necessários votos favoráveis de ao menos 15 países que representem 65% da população do bloco, critério atingido, de acordo com a Reuters.
Com a confirmação, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá viajar ao Paraguai na próxima semana para oficializar o acerto com Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai – integrantes do Mercosul. Depois da assinatura, o acordo precisará do aval do Parlamento Europeu para entrar em vigor.
Fonte: Agência Brasil
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