A Corte eleitoral analisa se mantém suspensão de pesquisa AtlasIntel sobre Flávio Bolsonaro. Os dados vieram à tona após áudio em que o senador pedia dinheiro para filme sobre o pai.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) está agendado para julgar nesta terça-feira, 9 de junho, se manterá a decisão do presidente da Corte, Kassio Nunes Marques, que determinou, no dia 8 de junho, a suspensão da divulgação de uma pesquisa realizada pelo Instituto AtlasIntel.
A pesquisa em questão revelou, em maio, uma queda de cinco pontos nas intenções de voto do pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro. A divulgação dos dados ocorreu após o vazamento de um áudio em que o senador solicitava dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, para a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro.
Com a decisão, a AtlasIntel foi instruída a remover a pesquisa de seus canais oficiais e a não realizar novas divulgações, impulsionamentos ou republicações até que o TSE analise o caso novamente.
“A situação será devidamente esclarecida a partir da análise técnica dos fatos e da metodologia empregada e confiamos no colegiado do TSE para afirmar a robustez técnica e a legalidade do estudo”, declarou a AtlasIntel em nota.
Além de Nunes Marques, os ministros que participarão da votação incluem André Mendonça, Dias Toffoli, Antonio Carlos Ferreira, Ricardo Villas Bôas Cueva, Floriano Azevedo Marques Neto e Estela Aranha. É importante ressaltar que o ministro Dias Toffoli se declarou suspeito para participar de casos relacionados ao Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF), mas é esperado que ele participe da análise da ação no TSE.
Este julgamento é considerado uma prévia de como a nova composição do TSE se posicionará em questões delicadas durante as eleições. Há uma expectativa de que a gestão de Nunes Marques à frente da Justiça Eleitoral adote um perfil mais discreto, com decisões menos intervenientes nas disputas eleitorais.
Internamente, alguns ministros expressaram reservas em relação ao entendimento de Nunes Marques, apontando que a pesquisa foi divulgada em maio, o que indicaria que não havia urgência para uma decisão individual neste momento.
A análise feita por Kassio Nunes Marques foi a partir de uma representação do PL, que argumentou que o questionário da pesquisa foi estruturado para induzir respostas negativas sobre Flávio Bolsonaro, criando uma narrativa desfavorável. O partido alegou que, das 49 perguntas feitas, 8 estavam diretamente relacionadas ao Banco Master e foram apresentadas em sequência, o que poderia influenciar a percepção dos entrevistados.
A pesquisa entrevistou 5.032 eleitores entre 13 e 18 de maio, com uma margem de erro de 1 ponto percentual e um nível de confiança de 95%.
O PL também destacou uma progressão nos temas abordados, incluindo medo eleitoral, comparação entre Lula e Flávio, e possíveis fraudes financeiras, entre outros, e considerou que o áudio vazado não deveria ser utilizado na pesquisa por falta de comprovação de autenticidade.
“Essa cadeia produz contexto, não mera medição. A pesquisa, da maneira heterodoxa em que foi formulada, pode criar, indevidamente, manchetes e narrativas de campanha baseadas em resultados obtidos após estímulo negativo”, argumentou o ministro.
Nunes Marques ressaltou que a controvérsia vai além de uma simples discordância nas escolhas metodológicas, envolvendo alegações objetivas de possível indução das respostas dos entrevistados. Ele também observou que outras 27 pesquisas realizadas pela AtlasIntel não apresentaram questionários com perguntas semelhantes às da pesquisa em questão.
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