Políticos republicanos aceleram mudanças nos mapas eleitorais dos Estados Unidos em meio à pressão do presidente Donald Trump para ampliar a representação do partido nas eleições legislativas de 2026.
Missouri segue o Texas
Depois da aprovação de um novo desenho distrital no Texas no fim de agosto, o parlamento do Missouri iniciou, na quinta-feira (5), a análise de proposta semelhante. A expectativa é concluir a votação na próxima semana. O governador republicano Mike Kehoe defende que o chamado “Mapa Missouri” “representa verdadeiramente os valores conservadores e de senso comum do estado”.
Em sua rede social, Trump celebrou a iniciativa e convocou os deputados estaduais a aprovarem o texto: “O novo mapa do Congresso, muito mais justo e aprimorado, dará ao incrível povo do Missouri a tremenda oportunidade de eleger mais um republicano”.
Texas amplia cadeiras republicanas
Em agosto, o Texas redesenhou seus distritos, criando cinco novas vagas na Câmara dos Representantes. O deputado democrata texano Vince Perez criticou o resultado ao afirmar que, no novo desenho, “o voto de uma pessoa branca tem o mesmo peso que os votos de cinco pessoas negras”. Hoje, hispânicos e brancos representam, cada um, cerca de 40% da população do estado, mas, com o novo mapa, 26 dos 38 distritos — 70% da delegação texana — passam a ter maioria branca.
Estratégia republicana
De acordo com o historiador James N. Green, professor emérito da Universidade Brown, Trump teme perder a estreita maioria de três cadeiras que o Partido Republicano possui na Câmara. “Se ele perder o controle, não poderá iniciar a análise do orçamento sem apoio democrata”, observou. Green explica que, nos EUA, as eleições para a Câmara são distritais e majoritárias; por isso, o redesenho das fronteiras pode diluir o voto de grupos urbanos, negros ou liberais ao mesclá-los com áreas rurais de maioria republicana.
Reação democrata na Califórnia
A Califórnia, controlada por democratas, anunciou que também revisará seus distritos para neutralizar a vantagem republicana conquistada no Texas. O governador Gavin Newsom prometeu “combater fogo com fogo”. No entanto, leis estaduais mais rígidas exigem que qualquer mudança seja aprovada em referendo agendado para novembro.
Disputa se espalha
O debate sobre a redefinição distrital avança para outros estados. Entre os republicanos, Indiana, Flórida e Ohio avaliam alterar seus mapas. Do lado democrata, Illinois, Nova York e Maryland estudam medidas para contrapor o avanço adversário.
Nos Estados Unidos, a redefinição dos distritos costuma ocorrer a cada dez anos, após o Censo, mas casos de gerrymandering — manipulação eleitoral pelo desenho de mapas — se repetem desde o século XIX. Alguns estados criaram comissões independentes, enquanto outros entregam a tarefa às assembleias estaduais.
Fonte: Agência Brasil
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