TikTok retira vídeos com simulações de agressão a mulheres após investigação da PF

William Kevim
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O TikTok removeu da plataforma, nesta segunda-feira (9), ao menos 20 publicações que faziam parte da trend “treinando caso ela diga não”, na qual criadores de conteúdo encenavam reações violentas a uma eventual rejeição feminina. A decisão ocorreu depois de reportagens denunciarem o material e da abertura de um procedimento investigativo pela Polícia Federal (PF).

Em cada vídeo, o autor aparecia fazendo um pedido romântico — normalmente de namoro ou casamento — e, em seguida, exibia a legenda “treinando caso ela diga não” ou variações. Logo após, iniciava-se a simulação de agressões físicas, com socos em objetos, golpes de luta ou o uso de facas.

Perfis permanecem ativos

Apesar da retirada dos conteúdos, os perfis responsáveis continuam no ar. Em nota, o TikTok afirmou que as postagens infringem as Diretrizes da Comunidade e foram apagadas “assim que identificadas”. A empresa acrescentou que seu time de moderação permanece monitorando possíveis materiais semelhantes e reforçou a proibição de discurso ou comportamento de ódio.

Investigação e medidas oficiais

A Polícia Federal informou ter iniciado a apuração após receber denúncia sobre a disseminação de vídeos que incentivariam violência contra mulheres. Durante as diligências, solicitou à plataforma tanto a preservação de dados quanto a exclusão dos conteúdos. A corporação destacou que outras publicações relacionadas à mesma tendência também foram relatadas e removidas.

Na esfera legislativa, a Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados aprovou requerimento para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) investigue os autores e avalie eventual responsabilização criminal por apologia à violência.

Alcance e repercussão

Levantamento do g1 identificou vídeos veiculados entre 2023 e 2025, postados por perfis que variavam de 883 a 177 mil seguidores e somavam mais de 175 mil interações. A trend ganhou força nas semanas que antecederam o Dia Internacional das Mulheres.

Um dos conteúdos que voltou a circular foi o do influenciador digital Yuri Meirelles, conhecido por participar do clipe “Funk Rave”, de Anitta, e do reality show “A Fazenda”. Com 1,6 milhão de seguidores no Instagram e 1,7 milhão no TikTok, ele excluiu o vídeo e pediu desculpas públicas, classificando a postagem como “uma brincadeira” que agora considera vergonhosa.

Dinâmica de viralização

Para a pesquisadora Raquel Saraiva, presidente do Instituto de Pesquisa em Direito e Tecnologia do Recife (IP.rec), conteúdos desse tipo se espalham rapidamente porque geram alto engajamento. “As plataformas não gostam de remover conteúdo, principalmente esses conteúdos virais. Para o modelo de negócio delas é bom, traz lucro”, afirmou. Saraiva apontou que a lógica dos algoritmos impulsiona materiais polêmicos em detrimento de vídeos educativos.

Registros mais antigos da mesma dinâmica foram localizados em países de língua inglesa, indicando que a tendência não se originou no Brasil, embora tenha ganhado proporções significativas no país.

Com informações de G1

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William Kevim é profissional de tecnologia com profunda paixão por cultura e entretenimento. Frequentador assíduo de teatros e cinemas, acompanha de perto lançamentos musicais, produções cinematográficas e o universo dos animes. Colabora com os portais do R2 Mídia Group trazendo pautas leves, culturais e de entretenimento com entusiasmo e olhar apurado.