Temporão defende prevenção como eixo principal no combate ao câncer

Claudio Vasconcelos
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O ex-ministro da Saúde José Gomes Temporão afirmou que a prioridade no enfrentamento ao câncer no Brasil deve ser a prevenção, acompanhada de políticas de promoção da saúde. Em entrevista concedida à Agência Brasil, o pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) destacou que o foco tradicional em diagnóstico e tratamento precisa ser ampliado para evitar que a doença se instale.

Alta incidência e desigualdade

Temporão lembrou que, em mais de 600 municípios brasileiros, o câncer já é a principal causa de morte. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o país registra cerca de 700 mil novos casos por ano no triênio que se encerra em 2025. No cenário global, a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) projeta 35 milhões de diagnósticos até 2050.

Embora a incidência seja menor nos países de baixa e média renda, esses locais concentram 70% dos óbitos. Para o ex-ministro, a desigualdade de acesso tanto à prevenção quanto aos tratamentos tradicionais — cirurgia, quimioterapia e radioterapia — explica parte desse quadro.

Fatores de risco

O ex-titular da pasta enfatizou que tabagismo, consumo de álcool, obesidade, alimentação inadequada, sedentarismo e poluição respondem por 90% dos casos de câncer. Ele avalia que reduzir esses fatores exige políticas intersetoriais, como restrições à publicidade de ultraprocessados, aumento de impostos sobre bebidas açucaradas e controle ambiental.

Diagnóstico precoce e rede estruturada

Quando a doença é detectada, o diagnóstico precoce continua decisivo. Para isso, disse ele, é preciso fortalecer a atenção básica, responsável por rastreamentos de colo de útero, mama, próstata e intestino. No entanto, o desempenho das unidades varia no território nacional, com maior concentração de tecnologia nas regiões Sul e Sudeste.

Regionalização do SUS

Para cumprir a lei que determina início do tratamento em até 60 dias após o diagnóstico, Temporão propõe reorganizar o Sistema Único de Saúde em aproximadamente 400 regiões, substituindo o modelo baseado nos mais de 5 mil municípios. A mudança facilitaria a contratação de equipes multiprofissionais e reduziria a dependência de grandes centros.

Ele estima que cerca de 80% dos cirurgiões oncologistas e oncologistas clínicos atuam no Sul e Sudeste, o que prolonga filas em outras áreas do país.

Custos de novas terapias

Com a chegada de tratamentos de alto custo, como a imunoterapia, o pesquisador reconhece o papel da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). O órgão só aprova procedimentos que comprovem custo-efetividade e viabilidade orçamentária.

Tecnologia e informação

Telemedicina e inteligência artificial podem acelerar diagnósticos e apoiar médicos da atenção primária. Contudo, o ex-ministro alertou para o aumento da desinformação em redes sociais e defendeu estratégias de comunicação adaptadas a diferentes públicos, além de transparência nos dados de saúde.

Temporão citou o sucesso do controle do tabagismo no Brasil — redução de fumantes de mais de 30% para cerca de 10% da população adulta — como exemplo de articulação entre dados confiáveis, educação e regulação publicitária. Para ele, iniciativas semelhantes são necessárias em relação ao álcool e aos alimentos ultraprocessados.

Fonte: Agência Brasil

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Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.