Em uma movimentação anunciada na segunda-feira, 2 de fevereiro, a SpaceX, fabricante de foguetes de Elon Musk, confirmou a compra da xAI, empresa de inteligência artificial também controlada pelo bilionário. A incorporação reforça um plano de levar a computação de alto desempenho para fora da Terra e abrir caminho para data centers movidos a energia solar no espaço.
No comunicado que oficializou a operação, Musk classificou a união das duas companhias como “o motor de inovação verticalmente integrado mais ambicioso da Terra (e fora dela)”, ao combinar inteligência artificial, lançadores reutilizáveis, internet via satélite, comunicação direta com dispositivos móveis e uma plataforma de informação em tempo real. “No longo prazo, a IA baseada no espaço é, obviamente, a única forma de escalar. No espaço, é sempre ensolarado”, declarou.
Meta de um milhão de satélites
O empresário afirmou que pretende lançar “um milhão de satélites que operem como data centers orbitais”, iniciativa que, segundo ele, ajudaria a humanidade a aproveitar a energia solar em sua totalidade e disponibilizar tecnologia de IA para “bilhões de pessoas”, além de colaborar para um futuro multiplanetário.
Embora tenha detalhado objetivos, Musk não divulgou cronograma. Ainda assim, estimou que, “dentro de dois ou três anos, a forma de menor custo para gerar computação de IA será no espaço”. Na visão do executivo, a economia obtida fora da Terra permitirá treinar modelos como o Grok — desenvolvido pela xAI — em “velocidades e escalas sem precedentes”.
Tendência ganha adeptos
Companhias menores também exibem interesse em infraestruturas além da atmosfera. Starcloud e Lonestar, ambas dos Estados Unidos, já apresentaram projetos para hospedar grandes volumes de informação em órbita. Ao g1, Philip Johnston, cofundador da Starcloud, previu que, “dentro de dez anos, quase todos os novos data centers serão construídos no espaço devido às limitações que enfrentamos para obter energia na Terra e do alto custo dessa energia”.
A perspectiva é compartilhada por Jeff Bezos, fundador da Amazon e dono da Blue Origin, concorrente direta da SpaceX no setor aeroespacial. Para ele, estruturas em órbita devem superar as instaladas no solo por usufruírem de fornecimento contínuo de luz solar. “É difícil saber exatamente quando — são mais de dez anos, e aposto que não são mais de 20 anos. Mas vamos começar a construir esses gigantescos data centers no espaço”, declarou em 2025.
Estudos indicam que centros de processamento dedicados à inteligência artificial podem consumir energia equivalente à de milhões de residências, fator que impulsiona a busca por alternativas menos onerosas e ambientalmente viáveis.
Imagem: David Swanson/Reuters
Com a aquisição da xAI, a SpaceX amplia o portfólio de negócios de Musk, que já inclui a Starlink, rede de satélites voltada à oferta de internet global, e a plataforma X (antigo Twitter), focada em comunicação em tempo real. A consolidação das operações alinha os projetos de foguetes reutilizáveis, conectividade e IA sob um mesmo guarda-chuva, visando reduzir custos e acelerar o desenvolvimento de tecnologias para missões interplanetárias.
Apesar do entusiasmo, os desafios técnicos para operar data centers no espaço permanecem significativos, principalmente no que diz respeito à dissipação de calor, manutenção remota e confiabilidade dos sistemas. Até o momento, Musk não detalhou como pretende contornar essas barreiras, nem apresentou datas para os primeiros testes em escala.
O anúncio marca mais um passo na estratégia do bilionário de integrar diferentes frentes de tecnologia sob sua liderança, reforçando a aposta de que a próxima fronteira da computação de inteligência artificial será, literalmente, fora do planeta.
Com informações de G1
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