A popularização de ferramentas de Inteligência Artificial e a fragilidade econômica formam o cenário perfeito para a atuação de golpistas. De acordo com a Comissão Federal de Comércio (FTC, na sigla em inglês), o número de norte-americanos com mais de 60 anos que relataram perdas superiores a US$ 10 mil quadruplicou entre 2020 e 2024. No mesmo intervalo, os prejuízos acima de US$ 100 mil saltaram de US$ 55 milhões para US$ 445 milhões. Especialistas ouvidos pela AARP, associação que representa aposentados nos Estados Unidos, apontam cinco fraudes que devem ganhar força em 2026.
1. Golpes de recuperação
Criminosos abordam quem já foi enganado e prometem reaver o dinheiro perdido, cobrando “taxas” por um serviço que nunca será prestado. O esquema costuma estar ligado ao aliciamento financeiro, muito comum em falsos investimentos em criptomoedas. Ao perceber a fraude, a vítima ameaça acionar as autoridades; semanas depois, os próprios golpistas — fingindo ser policiais, advogados ou órgãos governamentais — retomam o contato para extorquir mais valores.
Como se proteger: desconfie de cobranças antecipadas, sobretudo quando o pagamento é exigido em cartões-presente, criptomoedas ou aplicativos de transferência. Pesquise o nome da empresa usando termos como “golpe” ou “fraude”.
2. Prisão digital
Nesta modalidade, falsos agentes da lei telefonam e afirmam que o interlocutor é alvo de investigação criminal. A vítima, então, é submetida a longas videochamadas com ameaças e pedidos de pagamento para evitar processos. Golpistas recorrem a deepfakes e documentos forjados para dar aparência legítima ao golpe, que nasceu na Índia e vem se espalhando pelos Estados Unidos.
Como se proteger: desligue imediatamente. Autoridades não cobram multas nem entregam mandados por telefone, e-mail ou redes sociais.
3. “Olá, pervertido”
Nesse caso, chega um e-mail alegando que o computador do usuário foi invadido e que existem gravações comprometedoras de visitas a sites pornográficos. O remetente ameaça divulgar o material a amigos e familiares se não houver pagamento.
Como se proteger: apague a mensagem, não responda e jamais abra anexos desconhecidos. A urgência para quitar a “dívida” é parte da pressão psicológica.
4. Falso romance
Catfishers criam perfis falsos em aplicativos de namoro, redes sociais ou grupos de afinidade. Após conquistar a confiança da vítima, pedem dinheiro ou apresentam oportunidades de investimento, geralmente em criptomoedas. A estratégia inclui interesses em comum descobertos nas postagens públicas da vítima e o chamado love bombing — exageradas demonstrações de afeto no início do relacionamento.
Imagem: Mohamed Hassan para Pixabay
Como se proteger: mantenha as conversas dentro da plataforma de namoro, desconfie de pedidos para migrar rapidamente ao WhatsApp e insista em encontros presenciais. A recusa constante em aparecer pessoalmente é sinal de alerta.
5. Ofertas de emprego falsas
Golpistas publicam vagas inexistentes ou se passam por recrutadores de empresas renomadas para coletar dados pessoais ou cobrar taxas para “garantir” a contratação.
Como se proteger: nunca pague para participar de processos seletivos. Verifique nos canais oficiais da companhia se a oportunidade e o recrutador realmente existem e seja cético diante de promessas de altos salários com poucas horas de trabalho remoto.
Com a sofisticação dessas táticas, a recomendação central de especialistas permanece a mesma: redobrar a desconfiança e confirmar qualquer informação antes de compartilhar dados pessoais ou efetuar pagamentos.
Com informações de G1
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