Pelo menos 252 jornalistas foram mortos na Faixa de Gaza desde o início da ofensiva militar israelense, em outubro de 2023. O balanço foi atualizado nesta quinta-feira (25) pelo Sindicato dos Jornalistas da Palestina, durante reunião on-line coordenada pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e pela Embaixada da Palestina no Brasil.
Maior número de mortes de jornalistas em conflitos
De acordo com o presidente do sindicato, Naser Abu Baker, trata-se do maior massacre de profissionais de imprensa já registrado em um conflito armado. A entidade informa que a categoria em Gaza soma cerca de 1,6 mil profissionais.
Além dos mortos, o sindicato aponta mais de 200 prisões, cerca de 400 feridos e a destruição de 647 residências pertencentes a profissionais de imprensa. Mais de 120 veículos de comunicação que atuavam no território foram totalmente destruídos.
Ataques recentes
Entre os episódios mais graves, um bombardeio israelense ao Hospital Nasser, no fim de agosto, matou 15 pessoas, incluindo quatro jornalistas — um deles da agência Reuters. Semanas antes, a explosão de um drone havia provocado a morte de cinco jornalistas da TV Al Jazeera, entre eles o repórter Anas Al-Sharif.
Trabalho em tendas e sob bombardeio
Os dados foram apresentados a repórteres brasileiros que conversaram, por vídeo, com grupos de jornalistas palestinos instalados em Khan Yunis (sul de Gaza) e na Cidade de Gaza (norte). Samir Khalifa relatou que cerca de 95% da Cidade de Gaza está destruída e que o centro de mídia improvisado opera a 500 metros de tanques israelenses.
Tahseen Al-Atsall, vice-presidente do sindicato em Gaza, destacou que todos os profissionais foram expulsos de suas casas e agora vivem em tendas com suas famílias. Ele acrescentou que 3,4 mil jornalistas de outros países — 820 dos Estados Unidos — tiveram a entrada no enclave negada desde 2023, o que, segundo ele, viola a Resolução 2222 do Conselho de Segurança da ONU sobre proteção a jornalistas em áreas de conflito.
Condições precárias e apelos
A repórter Ghaida Mohammad, da TV Palestina, afirmou que mulheres jornalistas carecem de equipamentos de segurança e itens básicos, como leite em pó e produtos de higiene infantil. Já Mustafa al Bayed, correspondente do canal ART, falou aos colegas brasileiros enquanto ocorria um intenso bombardeio: “Pode ser a última vez”.
Violência também na Cisjordânia
Fora de Gaza, o sindicato registra mais de 2 mil agressões contra jornalistas e veículos de imprensa na Cisjordânia e em Jerusalém. Segundo Abu Baker, existem mais de 1 mil barreiras militares israelenses na Cisjordânia, e a recente decisão de fechar a passagem para a Jordânia transformou cerca de 4 milhões de habitantes da região em “prisioneiros”, nas palavras do dirigente.
Mobilização internacional
A presidenta da Fenaj, Samira de Castro, propôs à Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ) uma paralisação mundial em solidariedade aos profissionais palestinos e a ampliação do fundo de segurança da entidade.
A Embaixada de Israel no Brasil foi procurada pela Fenaj e pela Agência Brasil, mas ainda não enviou posicionamento sobre as denúncias.
Fonte: Agência Brasil
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