Serviços recuam 0,4% em maio e frustram expectativas do mercado

Robson Alves
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Transportes puxaram para baixo o setor de serviços em maio, surpreendendo analistas. Apesar do tombo mensal, o acumulado do ano ainda registra avanço de 1,9%.

O setor de serviços, que abrange diversas atividades como turismo, restaurantes, salões de beleza, internet e tecnologia da informação, apresentou uma queda de 0,4% em maio, influenciado negativamente pelo desempenho dos transportes.

De acordo com a Secretaria da Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda, este resultado ficou abaixo das expectativas de mercado, que variavam entre -0,3% a 0,6%, com uma mediana de 0,0%.

Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o setor teve um crescimento de 0,4%. No acumulado de janeiro a maio, o setor avançou 1,9% em relação ao mesmo período de 2025.

Ao analisar o acumulado em 12 meses, a alta foi de 2,6%. Este número indica uma desaceleração no ritmo de crescimento, já que em abril a alta era de 2,9%.

Esses dados foram divulgados na Pesquisa Mensal de Serviços, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com os resultados de maio, o setor de serviços se encontra 19,6% acima do nível pré-pandemia de covid-19, observado em fevereiro de 2020, mas 0,5% abaixo do maior patamar já registrado, que ocorreu em outubro de 2025.

Confira o desempenho do setor nos últimos meses, comparado ao mês anterior:

Maio: -0,4%

Abril: 1,1%

Março: -0,9%

Fevereiro: 0,1%

Janeiro: 0%

Freios nos transportes

O IBGE informou que, entre os cinco grupos de atividades analisados, dois apresentaram queda de abril para maio.

Serviços prestados às famílias: 0,2%

Serviços de informação e comunicação: 0%

Serviços profissionais, administrativos e complementares: 2%

Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio: -1%

Outros serviços: -1,9%

A queda nos transportes foi o principal fator para a retração do setor de serviços em maio, já que este item possui um peso significativo de 33,67% na pesquisa.

Rodrigo Lobo, analista da pesquisa, destacou que houve uma “menor receita das empresas de transporte aéreo de passageiros, transporte rodoviário de carga e de logística”.

Em maio de 2026, o volume de transporte de passageiros teve uma redução de 1,3% em comparação com o mês anterior. O volume do transporte de cargas também apresentou uma variação negativa de 0,2%.

O analista também ressaltou que os serviços prestados às famílias atingiram o maior nível desde dezembro de 2014, refletindo variáveis econômicas como baixo desemprego, renda elevada e controle de preços.

Índice de atividades turísticas

A Pesquisa Mensal de Serviços inclui ainda o índice de atividades turísticas (Iatur), que recuou 0,4% em maio, em comparação ao mês anterior. Entretanto, no acumulado de 12 meses, houve uma expansão de 1,7%.

Esses resultados indicam que as atividades turísticas estão 10,8% acima do nível pré-pandemia de covid-19, mas 2,5% abaixo do maior patamar registrado em dezembro de 2024.

O Iatur compila 22 das 166 atividades de serviços analisadas na pesquisa, relacionadas ao turismo, como hotéis, agências de viagens, bufês e transporte aéreo de passageiros.

A pesquisa também abrange dados de 17 unidades da federação, incluindo Ceará, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás, Distrito Federal, Amazonas, Pará, Mato Grosso, Alagoas e Rio Grande do Norte.

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.