Senadores cobram atuação da CVM e questionam fiscalização no caso Banco Master

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24 de fevereiro de 2026 – Brasília. A Comissão do Banco Master do Senado interpelou, nesta terça-feira (24), o presidente interino da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), João Carlos Accioly, sobre a suposta omissão do órgão na supervisão do Banco Master, investigado por fraude bilionária no mercado de capitais.

Durante a audiência, o líder do MDB, senador Eduardo Braga (AM), afirmou que episódios recentes, como o escândalo contábil das Lojas Americanas, indicariam reincidência de falhas da autarquia. “A CVM não é réu primário no tema transparência”, declarou, ao sustentar que milhões de brasileiros tiveram perdas em fundos de previdência por “omissão” do regulador.

Críticas a possível conivência

Braga sugeriu que o problema pode ir além da inação, insinuando conflito de interesses na condução dos casos. Segundo o parlamentar, recursos dos clientes teriam sido usados para cobrir déficits internos do Banco Master, agravando o prejuízo dos investidores.

Defesa da autarquia

Em resposta, Accioly afirmou que as suspeitas que motivaram a operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), tiveram origem em relatórios enviados pela própria CVM ao Ministério Público Federal (MPF) em junho de 2025. As apurações, disse, identificaram aportes de quase R$ 500 milhões em clínicas de fachada ligadas ao banco.

O presidente interino informou ter instaurado 200 processos administrativos, dos quais 24 tratam da tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB). “Há diversos exemplos de atuação. A responsabilidade penal é dos fraudadores, mas seguimos aperfeiçoando os mecanismos de supervisão”, ressaltou.

Indagação sobre falhas no sistema

A senadora Leila Barros (PDT-DF) questionou onde, afinal, ocorreu a ruptura do sistema de proteção ao investidor se a CVM afirma ter cumprido seu papel. Accioly respondeu que ainda é cedo para apontar erros específicos e anunciou a criação de um grupo de trabalho para avaliar lacunas nos procedimentos internos. “Os erros aparecerão no relatório, ao lado dos vários acertos”, admitiu.

Estrutura e vacâncias

Ligada ao Ministério da Fazenda, a CVM possui autonomia administrativa e orçamentária. Seu colegiado conta com um presidente e quatro diretores nomeados pelo presidente da República e sabatinados pelo Senado. No momento, três vagas de diretoria estão abertas; duas já têm indicados aguardando aprovação.

A audiência integra a série de depoimentos promovidos pela Comissão do Banco Master, criada para apurar responsabilidades pelo rombo que afetou milhares de investidores. Novas sessões deverão ocorrer após a entrega do relatório interno prometido pela CVM.





Ao encerrar o debate, os senadores solicitaram que Accioly envie documentos comprobatórios das medidas mencionadas, inclusive os ofícios encaminhados ao MPF, para análise da comissão parlamentar.

Com informações de Agência Brasil

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