Audiência pública no Senado aqueceu o debate sobre a PEC que extingue a jornada 6×1. Empresários alertam para riscos econômicos, enquanto sindicatos defendem a mudança.
O Senado realizou, nesta quarta-feira (1º), uma audiência pública para discutir a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da escala de trabalho 6×1. A proposta, que já está há mais de um mês na mesa do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, gerou intensos debates entre governo, oposição, empresários e sindicatos.
Os representantes do setor empresarial, incluindo os setores de comércio, transportes e indústria, manifestaram sua oposição à PEC. Eles argumentam que a proposta pode elevar os custos de trabalho e impactar negativamente a economia brasileira.
“O problema não é o trabalhador. O problema é a produtividade da economia. Primeiro, precisamos produzir mais riqueza, depois, distribuí-la”, enfatizou Ivo Dall’Acqua, presidente da Federação de Comércio de São Paulo (Fecomércio-SP).
Por outro lado, os defensores da PEC, que incluem representantes de centrais sindicais e do governo federal, afirmam que os custos associados à proposta são mínimos, comparáveis a um aumento no salário mínimo. O ministro da Secretária-geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, destacou que a PEC não só traria benefícios econômicos, mas também sociais.
“Um trabalhador mais descansado é um trabalhador mais produtivo”, defendeu Boulos, ressaltando que a proposta oferece dois dias de descanso por semana e reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais sem diminuição salarial.
Boulos também citou dados alarmantes sobre a saúde mental dos trabalhadores, mencionando que, em 2025, 4,1 milhões de trabalhadores foram afastados temporariamente devido a problemas de saúde, um aumento significativo em relação ao ano anterior. “No ano passado, o Brasil bateu o recorde de afastamentos por burnout e depressão”, afirmou.
Enquanto isso, Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), criticou a PEC, alegando que ela poderia aumentar a informalidade e prejudicar pequenos e médios empresários. Skaf pediu que a votação da PEC seja adiada até após as eleições de outubro, argumentando que as decisões não deveriam ser tomadas em um clima eleitoral.
O presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Vander Costa, também se manifestou contra a PEC, sugerindo uma transição mais gradual para a nova jornada de trabalho, de modo a facilitar a adaptação dos empresários aos novos custos.
“Nós não podemos ter um país onde poucos têm privilégios extraordinários e milhões estão exauridos”, alertou Ricardo Patah, presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), enfatizando a necessidade de equilíbrio entre vida profissional e pessoal.
Com a proposta em pauta, a discussão sobre a jornada de trabalho no Brasil continua a dividir opiniões, refletindo as tensões entre as necessidades dos trabalhadores e as preocupações dos empregadores.
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