São Silvestre chega à 100ª edição com 50 mil inscritos e mantém tradição iniciada em 1925

Rafael Ramos
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A Corrida Internacional de São Silvestre alcança sua 100ª edição em 31 de dezembro de 2025 com número recorde de participantes: mais de 50 mil corredores confirmados. Criada pelo jornalista, empresário e advogado Cásper Líbero em 1925, a prova passou a ser realizada anualmente nas ruas de São Paulo, apenas interrompida em 2020 devido à pandemia de covid-19.

Origem da prova

Líbero decidiu organizar uma corrida noturna no último dia do ano após assistir, em 1924, a uma competição em Paris cujos atletas corriam com tochas. A estreia aconteceu às 23h40 de 31 de dezembro de 1925: 60 atletas se inscreveram, 48 largaram no Parque Trianon, na Avenida Paulista, e percorreram 8,8 km. O vencedor foi Alfredo Gomes, que completou o percurso em 23 min 19 s; ele havia representado o Brasil nos Jogos Olímpicos de Paris em 1924 e tornou-se o primeiro atleta negro a disputar a prova.

Evolução e internacionalização

Inicialmente restrita a brasileiros, a corrida passou a aceitar estrangeiros residentes no país em 1927, ano em que o italiano radicado em São Paulo Heitor Blasi ficou com o título. A abertura para competidores de outros países da América do Sul veio em 1945, logo após a Segunda Guerra Mundial, e dois anos depois a prova ganhou caráter global.

Jejum encerrado em 1980

Com a internacionalização, atletas estrangeiros dominaram o pódio durante 34 anos, até que o pernambucano José João da Silva quebrou o jejum brasileiro em 1980. O ex-atleta recorda que a vitória gerou forte comoção popular na Avenida Paulista, comparável a uma festa de Copa do Mundo.

Participação feminina

As mulheres passaram a competir em 1975. A alemã Christa Valensieck venceu a edição de estreia feminina. No grupo de atletas que marcam a história da prova estão a portuguesa Rosa Mota, maior vencedora geral com seis títulos consecutivos (1981-1986), e o queniano Paul Tergat, dono de cinco vitórias. Entre os brasileiros, o recordista é Marilson Gomes dos Santos, tricampeão em 2003, 2005 e 2010.

Inspiração de novos corredores

Casos como o de Maria Zeferina Baldaia, campeã em 2001, ilustram o impacto social da São Silvestre. Ex-trabalhadora rural, ela conta que correu descalça por 15 anos antes de conquistar o primeiro lugar e hoje é referência para mulheres e crianças que desejam ingressar no esporte.

Formato atual e inclusão

A organização adota largadas em ondas para diferentes públicos. A programação começa às 7h25 com cadeirantes e demais atletas com deficiência; às 7h40 parte a elite feminina; às 8h05, a elite masculina em dois pelotões. Em seguida, largam os demais corredores amadores. Há, ainda, a “São Silvestrinha”, realizada em data separada no Centro Olímpico do Ibirapuera, voltada a crianças e adolescentes.

Cobertura especial de TV

Para celebrar a centésima edição, a TV Brasil exibe nesta segunda-feira (29) o programa “Caminhos da Reportagem – 100 Vezes São Silvestre”, às 22h30, com entrevistas de ex-campeões, historiadores e organizadores do evento.

Com 100 anos de tradição e agora 100 edições, a São Silvestre segue como a corrida de rua mais emblemática do país, reunindo atletas profissionais, amadores e espectadores que transformam a prova em símbolo das celebrações de fim de ano na capital paulista.

Fonte: Agência Brasil

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.