A Rússia colocou em órbita, nesta terça-feira (24), o primeiro lote operacional de 16 satélites de baixa altitude, passo inicial de um sistema nacional de internet banda larga que pretende disputar mercado com a constelação Starlink, de Elon Musk. O lançamento foi transmitido ao vivo pela Band e coordenado pela Bureau 1440, companhia aeroespacial responsável pelo desenvolvimento da nova rede.
Primeira etapa de um serviço comercial
De acordo com a Bureau 1440, o grupo liberado na segunda-feira (23) sinaliza a transição “do experimento para a criação de um serviço de comunicação”, conforme comunicado distribuído pela empresa. O objetivo é formar, a médio prazo, uma malha global de satélites capazes de fornecer conexão de alta velocidade a regiões remotas ou com infraestrutura terrestre limitada.
Mesmo com o lançamento, a iniciativa russa ainda está distante do volume alcançado pela Starlink. Desde a entrada em operação, em 2019, a constelação de Musk já ultrapassou 10 mil satélites ativos, estabelecendo presença dominante no mercado de internet via espaço.
Legado soviético e desafios recentes
A corrida espacial não é novidade para Moscou. Em 1957, a então União Soviética colocou o Sputnik 1 em órbita: o primeiro satélite artificial da história. Quatro anos depois, em 1961, Yuri Gagarin tornou-se o primeiro ser humano a completar uma volta ao redor da Terra. Entretanto, após o colapso soviético em 1991, o setor espacial russo enfrentou cortes de verbas, denúncias de corrupção e críticas de jovens engenheiros à gestão das agências estatais, fatores que comprometeram o ritmo de inovação do país.
A trajetória de Elon Musk também se cruza com essa história. Segundo a biografia assinada por Ashlee Vance em 2015, o empresário buscou acordos com autoridades russas em 2002 para viabilizar lançamentos mais baratos, mas foi considerado “não confiável” e não fechou negócio. O episódio teria impulsionado Musk a criar soluções próprias, que culminaram na fundação da SpaceX e, posteriormente, no projeto Starlink.
Próximos passos
A Bureau 1440 não detalhou datas para novos lançamentos, mas informou que a constelação completa exigirá diversos lotes adicionais. A empresa também não divulgou valores do investimento nem a quantidade total de satélites prevista. Mesmo assim, analistas do setor apontam que, para competir com a infraestrutura da Starlink, a Rússia precisará multiplicar consideravelmente o número de unidades em órbita e garantir frequência regular de lançamentos.
Com o envio dos 16 satélites, o país retoma protagonismo em um segmento em expansão, onde fornecer internet em regiões desassistidas tornou-se prioridade estratégica. Resta saber se o cronograma planejado conseguirá acompanhar a rápida evolução das demais constelações comerciais que já operam ou estão a caminho.
Com informações de G1
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