Sergipe registra 59.809 crianças obesas de 0 a 9 anos. O dado alarmante surge no Dia Mundial de Conscientização contra a Obesidade Infantil e reforça urgência de ações preventivas no estado.
Na última quarta-feira, 03 de junho, comemorou-se o Dia da Conscientização contra a Obesidade Infantil. Esta data destaca um problema crescente de saúde pública no Brasil e em todo o mundo, evidenciando a urgência da prevenção desde os primeiros anos de vida.
De acordo com o Atlas Global da Obesidade e dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil pode se tornar, até 2030, o 5º país do mundo com mais crianças e adolescentes obesos. O estudo aponta que, se não forem tomadas providências adequadas, as chances de reverter essa situação são de apenas 2%.
Os números da obesidade infantil no Brasil são alarmantes. O Panorama de Obesidade Infantil e Adolescente, baseado nas informações do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), revela que em 2025 foram contabilizadas 1.171.916 crianças com obesidade e 783.017 com obesidade grave. Isso representa 8,94% das crianças de 0 a 9 anos com obesidade, o que equivale a 9 em cada 100, e 5,97% com obesidade grave, cerca de 6 em cada 100 na mesma faixa etária.
Em Sergipe, os dados de 2025 do SISVAN, consultados em 28 de maio de 2026, mostram que 34% das crianças de 0 a 9 anos apresentam excesso de peso, englobando sobrepeso, obesidade e obesidade grave. Isso significa que 34 em cada 100 crianças nessa faixa etária estão afetadas, totalizando 59.809 casos de excesso de peso infantil no estado.
“Os dados revelam que a obesidade infantil deixou de ser uma situação isolada e se tornou um importante desafio para a saúde pública. O excesso de peso na infância pode aumentar significativamente o risco de doenças crônicas na adolescência e na vida adulta”, destaca a pediatra e membro da Organização Nacional de Acreditação (ONA), dra. Mariana Grigoletto.
Conforme o SISVAN, durante o mesmo período, 8.230.705 crianças apresentavam peso adequado (eutrofia), representando 62,80% do total — cerca de 63 em cada 100 crianças. Apesar de a maioria estar dentro da faixa adequada, aproximadamente 37% das crianças avaliadas apresentam algum grau de alteração nutricional, incluindo excesso de peso e obesidade, ressaltando a necessidade de estratégias preventivas desde a infância.
As consequências da obesidade infantil incluem um aumento no risco de doenças crônicas como diabetes tipo 2, hipertensão e problemas cardiovasculares, além de impactos psicológicos como baixa autoestima e maior exposição a situações de bullying.
“É fundamental que as crianças sejam acompanhadas por um pediatra. Identificar alterações no peso e hábitos logo no início permite intervenções antes que a situação piore”, ressalta a dra. Mariana.
A prevenção da obesidade infantil requer a adoção de hábitos saudáveis desde cedo. A pediatra recomenda uma alimentação balanceada, priorizando alimentos in natura e minimamente processados, como frutas, legumes e verduras, e a redução do consumo de alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas.
Além disso, a prática regular de atividades físicas e a limitação do tempo em frente às telas são essenciais. “Formar hábitos saudáveis desde a infância é decisivo para prevenir a obesidade e doenças associadas. Embora a genética possa influenciar, os hábitos de vida e o ambiente têm um papel fundamental na prevenção”, complementa a dra. Mariana.
As alterações nos hábitos alimentares entre crianças têm refletido nos indicadores de saúde e nutrição do país. Dados do SISVAN mostram que o consumo de alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas tem aumentado ao longo da infância.
“Na prática clínica, percebemos que a obesidade infantil raramente ocorre de forma isolada. Ela está relacionada aos hábitos alimentares, à rotina familiar e ao ambiente onde a criança vive. Pequenas mudanças consistentes no dia a dia podem ter um impacto duradouro na saúde física e emocional da criança”, finaliza a dra. Mariana Grigoletto.
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