Quanto custou o retorno à Lua e o que os EUA obtêm com a missão Artemis 2

William Kevim
5 Min Leitura

TRANSMISSÃO: Band

Resumo

A missão Artemis 2 da Nasa, que levou quatro astronautas mais longe da Terra do que qualquer humano antes, reacendeu o debate sobre os custos e benefícios da exploração lunar. Projetos ligados ao programa envolvem contratos com empresas aeroespaciais e apresentam valores bilionários, enquanto autoridades e o Congresso norte-americano discutem prioridades orçamentárias e objetivos estratégicos.

Quem, o que e quando

A Nasa realizou a missão tripulada Artemis 2 em abril de 2026. A cápsula Orion transportou quatro astronautas em um voo de cerca de dez dias, com retorno ao Oceano Pacífico e atividades de imprensa nos dias subsequentes, incluindo registros públicos da tripulação em 11 de abril de 2026.

Quanto custou

Relatórios oficiais e apurações apresentaram custos variados das partes que compõem missões como a Artemis 2:

  • O banheiro da missão teve falhas e custou, segundo relatos, 23 milhões de dólares (R$ 115,5 milhões).
  • A construção de uma cápsula tripulada Orion custa cerca de 1 bilhão de dólares (R$ 5 bilhões), conforme relatório do inspetor-geral da Nasa de novembro de 2021.
  • O “módulo de serviço”, fornecido pela Agência Espacial Europeia (ESA), tem custo estimado em 300 milhões de dólares (R$ 1,5 bilhão).
  • O veículo de lançamento, incluindo propulsores, custa aproximadamente 2,2 bilhões de dólares (R$ 11 bilhões).
  • Infraestrutura terrestre necessária, como plataformas móveis de lançamento, tem custo estimado em 570 milhões de dólares (R$ 2,86 bilhões).

Com esses valores, cada voo das missões Artemis 1 a 4 foi estimado em cerca de 4,1 bilhões de dólares (R$ 20,6 bilhões). O relatório também criticou a Nasa pela falta de contabilidade confiável, mas manteve uma estimativa de custo total do programa Artemis até 2025 em 93 bilhões de dólares (R$ 467,2 bilhões).

Financiamento, emprego e política

Desde sua criação em 1958, a Nasa recebeu, ajustado pela inflação, mais de 1,9 trilhão de dólares (R$ 9,5 trilhões) em financiamento acumulado. A agência enfrenta mudanças de prioridades políticas: no primeiro mandato, o então presidente Donald Trump pressionou pelo retorno à Lua; em seu segundo mandato propôs cortes no orçamento de 2026 de quase 25%, maioria rejeitada pelo Congresso. Em dezembro, Trump assinou uma ordem executiva para expandir a presença dos EUA no espaço, com metas de levar americanos de volta à Lua até 2028 e estabelecer um posto lunar permanente até 2030, incluindo reatores nucleares.

Ao mesmo tempo, cortes administrativos levaram cerca de 4 mil funcionários a deixarem ou a se prepararem para deixar a agência — aproximadamente um quinto da força de trabalho anterior.

Orçamento corrente e prioridades do Congresso

Para 2026, o Congresso destinou 24,4 bilhões de dólares (R$ 122,6 bilhões) à Nasa, valor que equivale a cerca de 0,35% dos gastos federais. O pedido de orçamento da agência para 2027 é de 18,8 bilhões de dólares (R$ 94,4 bilhões), refletindo a tentativa do governo de reduzir recursos e realocar parte dos recursos para exploração lunar e marciana, com cortes previstos em pesquisa científica e na Estação Espacial Internacional.

Segurança, orgulho nacional e competição internacional

Políticos norte-americanos apontam o retorno à Lua como questão de segurança e liderança estratégica. Em audiência no Senado, o senador Ted Cruz afirmou: “Não se enganem, estamos em uma nova corrida espacial com a China”. Cruz afirmou que a China mantém uma presença permanente em órbita baixa com a estação Tiangong e busca fincar sua bandeira na Lua até 2030.

Interesses comerciais e desafios técnicos

Empresas privadas como SpaceX e Blue Origin têm papel crescente no setor espacial. A divisão Starlink, da SpaceX, é responsável por muitos dos cerca de 10 mil satélites atualmente estimados em órbita. Detritos espaciais estão entre as preocupações citadas.

Joseph Aschbacher, diretor-geral da ESA, afirmou em entrevista no Fórum Econômico Mundial, em janeiro, que “o espaço mudou completamente nos últimos anos” e que o ambiente tornou-se mais estratégico e comercial, exigindo mudanças na forma de trabalhar e mais investimentos em defesa e segurança.

Ao final das informações públicas sobre custos, cronogramas e objetivos, segue a documentação e a discussão sobre como conciliar interesses governamentais, comerciais e de contribuição pública para projetos que costumam levar décadas para serem executados.

Compartilhe essa Notícia
William Kevim é profissional de tecnologia com profunda paixão por cultura e entretenimento. Frequentador assíduo de teatros e cinemas, acompanha de perto lançamentos musicais, produções cinematográficas e o universo dos animes. Colabora com os portais do R2 Mídia Group trazendo pautas leves, culturais e de entretenimento com entusiasmo e olhar apurado.