Professor sergipano ressalta conceitos de bell hooks para fortalecer educação antirracista

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Em artigo publicado durante o mês da Consciência Negra, o professor Jairton Peterson Rodrigues dos Santos, do Instituto Federal de Sergipe (IFS) – Campus Aracaju, defende que as reflexões da escritora e feminista negra norte-americana bell hooks (1952-2021) são fundamentais para consolidar uma prática pedagógica antirracista no Brasil.

Referência à Consciência Negra

O docente relembra que novembro se tornou referência nacional de combate ao racismo após a promulgação da Lei nº 12.519/2011, que homenageia Zumbi dos Palmares. Segundo ele, a pauta não pode ficar restrita ao período comemorativo, pois o racismo é estrutural e demanda enfrentamento cotidiano.

“Ensinar a transgredir”

No texto, Santos analisa a obra Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade (2017, edição brasileira), em que hooks questiona modelos tradicionais de ensino marcados por hierarquia e eurocentrismo. Inspirada por Paulo Freire, a autora propõe uma educação engajada que valorize experiências de vida, emoções e corporeidade dos estudantes.

Transgressão e afeto como práticas políticas

De acordo com o professor, hooks interpreta a transgressão não como desobediência aleatória, mas como coragem de ultrapassar barreiras impostas pelo racismo e pelo patriarcado. Para a autora, o afeto transforma o processo de aprendizagem, servindo de resistência para alunos negros, indígenas e demais grupos historicamente marginalizados.

Compatibilidade com a legislação brasileira

Santos destaca que a abordagem de hooks dialoga com as Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008, que tornaram obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena nas escolas. Para ele, aplicar essas diretrizes significa reconhecer saberes ancestrais e promover ambientes em que todos possam compartilhar suas vivências.

Dados do IBGE reforçam urgência

O artigo cita levantamento do IBGE de 2022, segundo o qual mais de 55% dos brasileiros se autodeclaram pretos ou pardos. Diante das desigualdades educacionais que ainda atingem majoritariamente essa parcela da população, o professor argumenta que a escola deve se tornar espaço de acolhimento, resistência e transformação.

Ao final, o autor afirma que, quando o ensino incorpora as vozes silenciadas, ele rompe a pretensa neutralidade da sala de aula e assume compromisso ético com a justiça social.

Fonte: Infonet

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