Primeiras vacinas contra a covid-19 completam cinco anos no Brasil

Claudio Vasconcelos
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Há exatos cinco anos, em 17 de janeiro de 2021, o Brasil iniciou oficialmente a vacinação contra a covid-19. Naquele domingo, pouco depois de a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberar o uso emergencial de dois imunizantes, a enfermeira paulista Mônica Calazans recebeu a primeira dose da CoronaVac e entrou para a história.

Escalada para o ato simbólico por ter participado dos testes clínicos da vacina do Instituto Butantan e da farmacêutica chinesa Sinovac, Mônica trabalhava no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo. A profissional relata que chorou ao saber que seria a primeira vacinada, emocionada tanto pela situação do irmão, infectado à época, quanto pela confiança na ciência que surgia como saída para a crise sanitária.

Campanha nacional começou no dia 18

A distribuição do primeiro lote de 6 milhões de doses da CoronaVac possibilitou que a imunização fosse estendida a todo o país em 18 de janeiro. Cinco dias depois, em 23 de janeiro, chegaram 2 milhões de doses da vacina Oxford/AstraZeneca, importadas da Índia pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que posteriormente passou a produzir o imunizante no Brasil.

Com quantidade restrita de vacinas, o Ministério da Saúde priorizou profissionais de saúde da linha de frente, idosos e pessoas com deficiência institucionalizadas, além de indígenas. O início da campanha coincidiu com o pico da variante Gama, mais agressiva que as cepas detectadas anteriormente.

O avanço foi gradual. No Rio de Janeiro, por exemplo, pessoas entre 60 e 70 anos só receberam a primeira injeção nos meses de março e abril de 2021. Mesmo assim, estudos do Observatório Covid-19 Brasil indicam queda acentuada de internações e óbitos de idosos já em abril daquele ano: em apenas sete meses, a vacinação evitou 165 mil hospitalizações e 58 mil mortes nessa faixa etária.

Efeito em um ano

Com a produção nacional da CoronaVac e da AstraZeneca e a chegada de doses compradas de fabricantes privados, o país aplicou 339 milhões de doses em 12 meses, atingindo 84% da população. Pesquisadores estimam que o esforço poupou mais de 300 mil vidas, prevenindo 74% dos casos graves e 82% dos óbitos esperados.

Debate sobre atrasos

O mesmo Observatório calcula que outras 104 mil hospitalizações e 47 mil mortes de idosos poderiam ter sido evitadas se a campanha tivesse começado antes. Levantamento da Universidade Federal de Minas Gerais projeta que, caso o Brasil tivesse iniciado a imunização 40 dias antes — na mesma data do Reino Unido —, combinando vacinas em maior quantidade e medidas de distanciamento, 400 mil mortes poderiam ter sido prevenidas.

Para Paola Falceta, vice-presidente da Associação de Vítimas e Familiares de Vítimas da Covid-19 (Avico), a mãe, falecida em janeiro de 2021, está entre as vidas que poderiam ter sido salvas. Ela afirma que a demora na aquisição de imunizantes impediu que muitos brasileiros tivessem acesso oportuno à vacina.

Sentimento semelhante é compartilhado por Ana Lucia Lopes, que perdeu o companheiro em maio de 2021. Um mês depois, ela tomou a primeira dose: “É revoltante imaginar que ele não teve essa oportunidade”, lamenta.

Conclusões da CPI da Covid

A Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid-19, instalada no Senado em 2021, apontou que a escassez de doses foi determinante para a expansão dos casos e das mortes, citando propostas não respondidas da Pfizer em agosto de 2020 que ofereciam 1,5 milhão de unidades ainda no primeiro ano de pandemia. O relatório final recomendou o indiciamento de 68 pessoas, incluindo o então presidente Jair Bolsonaro e dois ex-ministros da Saúde. O processo, no entanto, foi arquivado a pedido da Procuradoria-Geral da República em 2022.

No ano passado, o ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino determinou que a Polícia Federal instaurasse inquérito para apurar as condutas apontadas pela CPI.

Enquanto as investigações correm, o país recorda o 17 de janeiro de 2021 como o dia em que a primeira dose simbolizou esperança em meio a uma crise que vitimou cerca de 700 mil brasileiros.

Com informações de Agência Brasil

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Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.