PP e União Brasil deixam governo Lula para disputar base eleitoral de Bolsonaro, apontam especialistas

Rafael Ramos
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O anúncio da saída da Federação formada por União Brasil (UB) e Progressistas (PP) do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, feito em 4 de setembro, tem como principal objetivo conquistar o eleitorado fiel ao ex-presidente Jair Bolsonaro, avaliam cientistas políticos ouvidos pela reportagem.

Movimento coincide com julgamento no STF

A decisão tornou-se pública no mesmo dia em que o Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou o julgamento da tentativa de golpe de Estado, processo que pode levar à condenação de Bolsonaro. Para o professor João Feres Júnior, do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Iesp-Uerj), a debandada busca “revitalização eleitoral” diante da polarização entre PL e PT.

“Bolsonaro ainda mobiliza grande volume de votos e já elegeu nomes pouco conhecidos em 2018 e 2022. PP e União querem herdar essa força”, disse Feres. Ele pondera, porém, que “não haverá espaço para todos” nessa disputa.

Maior bancada da Câmara

Reunidos em federação, PP e União Brasil somam 109 deputados, formando a maior bancada da Câmara, além de 14 senadores (seis do União e oito do PP). Segundo a cientista política Michelle Fernandez, da Universidade de Brasília (UnB), o movimento está ligado às articulações para as eleições gerais de 2026. “Algumas siglas cobraram de seus parlamentares o desligamento do governo para que pudessem compor a oposição na corrida eleitoral do próximo ano”, afirmou.

Pressão por cargos

Em nota, a federação classificou a decisão como gesto de “clareza e coerência” e solicitou a saída dos ministros Celso Sabino (Turismo), filiado ao União Brasil, e André Fufuca (Esporte), do PP. Já a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, reagiu exigindo lealdade de quem permanecer na administração: “Precisam trabalhar conosco pela aprovação das pautas do governo”, escreveu nas redes sociais.

Disputa pelo “espólio” bolsonarista

Para Feres, o possível afastamento definitivo de Bolsonaro do cenário político aumenta a ansiedade da direita pelo eleitorado do ex-presidente. Ele também relaciona esse interesse ao apoio de PP e União ao projeto de lei que concede anistia aos condenados pela tentativa de golpe. “A anistia seria uma forma de reavivar Bolsonaro e organizar o campo da direita; sem ele, os votos tendem a se dispersar”, avaliou.

Michelle Fernandez acrescenta que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ao pressionar pela anistia, também busca aproximar-se dos bolsonaristas. “Tarcísio ainda precisa de Bolsonaro para decolar como eventual candidato no ano que vem”, disse. Feres, porém, não vê consenso em torno do nome do governador paulista.

Fonte: Agência Brasil

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.