Um voo da Latam que partiu de São Paulo (SP) rumo a Brasília (DF) precisou alterar o trajeto na quinta-feira, 29 de janeiro, depois que um powerbank explodiu dentro da cabine. A tripulação declarou situação de emergência e realizou pouso monitorado em Ribeirão Preto (SP). De acordo com a companhia, ao menos três passageiros passaram mal por causa da fumaça e receberam atendimento médico ainda na pista, mas ninguém precisou ser levado ao hospital.
O episódio reacende o debate sobre a segurança no transporte de baterias de íon de lítio, componente presente em carregadores portáteis, celulares e notebooks. Embora especialistas classifiquem esse tipo de ocorrência como rara, há registros de situações semelhantes nos últimos anos. Em agosto de 2025, por exemplo, um carregador pegou fogo num voo entre São Paulo e Amsterdã, espalhando fumaça pela cabine. Já em março do mesmo ano, um dispositivo semelhante incendiou-se durante operação em Hong Kong. Em outubro de 2025, uma bateria explodiu em um voo da Air China de Hangzhou para Seul, exigindo pouso de emergência.
O que diz a regulamentação
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) estabelece regras específicas para o transporte de baterias externas:
Bagagem despachada: proibido levar powerbanks ou baterias soltas.
Bagagem de mão: permitido, desde que observados os limites de capacidade energética e adotadas medidas de proteção individual.
- Até 100 Wh – transporte liberado.
- Entre 100 Wh e 160 Wh – máximo de duas unidades por passageiro, com aprovação prévia da companhia aérea.
Os terminais devem estar isolados, e a bateria precisa ficar em embalagem própria ou dentro de saco plástico que impeça contato com objetos metálicos.
Entenda a capacidade das baterias
Enquanto a Anac usa a unidade watt-hora (Wh) para definir limites, fabricantes costumam informar a capacidade em miliampère-hora (mAh). Para converter, é necessário considerar também a voltagem média do componente (aproximadamente 3,7 V em powerbanks). Dessa forma, 100 Wh correspondem a cerca de 27 000 mAh, e 160 Wh equivalem a cerca de 40 000 mAh.
Imagem: Freepik/xb100
Segundo especialistas, a quantidade de energia armazenada influencia a intensidade de um eventual incêndio, mas não aumenta, por si só, a probabilidade de explosão.
Risco não é maior no ar
Kim Rieffel, vice-presidente de Telecomunicações da Associação Brasileira de Infraestrutura da Qualidade (Abriq), afirma que não existe evidência científica de que baterias de íon de lítio sejam mais perigosas durante o voo. “Os fatores que mais pesam são temperatura alta e choque físico”, explica. Por isso, a Anac impede esse material no porão, onde há menos controle sobre calor e impactos.
Outro ponto de atenção é a qualidade do equipamento. De acordo com Fábio Delatore, professor de Engenharia Elétrica do Instituto Mauá de Tecnologia, produtos sem homologação da Anatel tendem a apresentar maior risco. “Quando o dispositivo não segue requisitos de segurança, a chance de falha aumenta”, observa. A orientação é optar por marcas reconhecidas e desconfiar de preços muito abaixo do mercado.
Após o pouso em Ribeirão Preto, a Latam informou que prestou assistência aos passageiros e inspecionou a aeronave antes de retomar a operação. As causas da explosão serão apuradas.
Com informações de G1
Siga o Foco SE e entre no nosso grupo de notícias de Sergipe.



