PF mira senador Jaques Wagner em operação contra esquema do Banco Master

Claudio Vasconcelos
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A Polícia Federal deflagrou nesta quinta (18) a 9ª fase da Operação Compliance Zero e atingiu o líder do governo no Senado. Wagner nega vínculos com o banqueiro Daniel Vorcaro e afirma nunca ter recebido dinheiro do Master.

Em uma entrevista exclusiva à BandNews TV, realizada nesta quinta-feira (18), o senador Jaques Wagner, do PT da Bahia, declarou que sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro é “praticamente zero”. Ele também afirmou que nunca recebeu dinheiro do Banco Master.

O parlamentar, que ocupa o cargo de líder do governo no Senado, e o empresário Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, foram alvos da nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta data pela Polícia Federal (PF).

Jaques Wagner é mencionado como um dos beneficiários centrais de pagamentos, favorecimentos e aquisições patrimoniais vinculados a Augusto Lima e ao Banco Master, através de familiares e pessoas de confiança. Entre os itens investigados está a aquisição de um apartamento avaliado em R$ 2,4 milhões em Salvador, além de repasses que ultrapassam R$ 5 milhões à BN Financeira, que está ligada à família do senador.

Durante a operação de busca e apreensão em endereços associados a Jaques Wagner, a PF encontrou quantias significativas em dólares e euros. Em sua entrevista, o senador expressou tranquilidade quanto à origem do dinheiro apreendido, afirmando que se tratava de recursos do Senado destinados ao custeio de diárias em viagens internacionais.

“Do ponto de vista do dinheiro, eu estou absolutamente tranquilo. Nunca recebi dinheiro de ninguém, muito menos do Master ou do Augusto Lima. Então, eu estou absolutamente à vontade”, disse o senador.

Wagner também comentou sobre a compra do apartamento mencionado na investigação da PF. Ele explicou que o imóvel está em construção e que tinha a intenção de ajudar sua filha a adquirir um apartamento nesse local.

“Eu disse a ele: ‘Você pode comprar, depois eu vou recomprar’, porque o apartamento está em construção, não está pronto”, acrescentou.

Apesar de ser alvo da nova fase da operação da PF, que investiga irregularidades no sistema financeiro nacional, Jaques Wagner reafirmou que sua candidatura ao Senado está mantida.

“Olha, primeiro, em relação à minha candidatura, está absolutamente mantida. Eu estou muito seguro de tudo o que eu fiz”, afirmou.

O senador ainda mencionou que recebeu um telefonema do presidente Lula, que lhe prestou solidariedade, mas não discutiram mudanças na liderança do governo no Senado durante a conversa.

A Polícia Federal também investiga a atuação de Jaques Wagner no Senado em questões que interessam ao Banco Master, como crédito consignado e fiscalização da aquisição do banco pelo BRB. A operação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, que também determinou a suspensão de passaportes e proibiu o contato entre os investigados.

Conforme a PF, a relação entre Jaques Wagner e Augusto Lima é antiga e marcada por um elevado grau de confiança, com registros de mensagens, áudios, chamadas de voz, encontros presenciais e viagens em jatinhos particulares.

Os advogados de Augusto Lima emitiram uma nota afirmando que a operação da Polícia Federal era desnecessária, defendendo que o empresário sempre atuou dentro da legalidade e com transparência.

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Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.