Pesquisadores monitoram primatas ameaçados no sul de Sergipe

Rafael Ramos
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Estudo de brasileiros e espanhóis acompanha a circulação de espécies em fragmentos da Mata Atlântica de Itaporanga d’Ajuda. A pesquisa busca reforçar ações de conservação no estado.

Uma parceria científica entre Brasil e Espanha está intensificando os esforços para a conservação da Mata Atlântica em Sergipe. O Instituto Santuário da Mata serve como base para as atividades de campo, onde os pesquisadores espanhóis Amaia Fernández e Eduardo García, que estão realizando estudos de mestrado em Conservação da Biodiversidade na Universidade de Valência, na Espanha, se dedicam ao monitoramento da movimentação de primatas em fragmentos da Mata Atlântica no sul do estado.

As atividades estão concentradas na região do povoado Tejupeba, no município de Itaporanga d’Ajuda, uma das áreas mais relevantes para a conservação desse bioma em Sergipe. O objetivo principal é entender como os primatas se deslocam entre os fragmentos florestais e identificar os pontos mais frequentemente utilizados durante essas travessias. As informações coletadas serão fundamentais para indicar os locais mais adequados para a instalação de passagens de fauna, além de subsidiar a criação de corredores ecológicos e orientar outras estratégias que visem minimizar os impactos da fragmentação da Mata Atlântica sobre a fauna silvestre.

A iniciativa conta também com o apoio do Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Conservação da Universidade Federal de Sergipe (UFS), coordenado pelo professor Dr. Edilson Divino de Araújo. Em Sergipe, as atividades de campo estão sendo orientadas pelos pesquisadores Dr. Francis Luiz Santos Caldas e Dr. Hamilton Ferreira Barreto.

A sede do Instituto Santuário da Mata funciona como a base para as atividades desenvolvidas na região, que abriga remanescentes de Mata Atlântica e espécies ameaçadas, como o macaco-prego-do-peito-amarelo (Sapajus xanthosternos), classificado como Criticamente em Perigo, o guigó-de-Coimbra-Filho (Callicebus coimbrai), classificado como Em Perigo, e o sagui-de-tufos-brancos (Callithrix jacchus).

A presença dos pesquisadores em Sergipe é um dos primeiros resultados concretos da missão técnica internacional realizada neste ano pelo Instituto Santuário da Mata na Espanha e na Alemanha. As conexões estabelecidas durante essa viagem possibilitaram o desenvolvimento desse trabalho em Sergipe, potencializando o intercâmbio científico e a cooperação internacional em prol da conservação da biodiversidade.

“A cooperação com pesquisadores internacionais é extremamente importante porque nos ajuda a gerar conhecimento científico e também a conquistar mais apoio para avançar nas ações de conservação de que a Mata Atlântica sergipana tanto precisa. Quando diferentes instituições trabalham juntas, conseguimos potencializar os esforços e aumentar as chances de transformar esse conhecimento em ações concretas, como a implantação de corredores ecológicos, passagens de fauna e outras iniciativas para proteger a biodiversidade.”

Os pesquisadores espanhóis Amaia Fernández e Eduardo García também compartilharam suas impressões sobre a experiência em Sergipe, ressaltando a proximidade entre a biodiversidade e as comunidades locais.

“Durante as atividades de campo, tivemos um contato muito direto com a fauna e pudemos observar como os animais utilizam áreas muito próximas de espaços frequentados e modificados pelos seres humanos. Isso nos fez perceber que, mesmo em ambientes que não parecem ser uma floresta intacta, ainda existe uma grande diversidade e uma relação muito próxima entre a fauna e a presença humana.”

Os pesquisadores expressaram a expectativa de que o estudo ajude a fortalecer estratégias de conservação que equilibrem a proteção da biodiversidade com a realidade das comunidades locais.

“Esperamos que os resultados deste trabalho contribuam para encontrar um equilíbrio entre as comunidades locais e a biodiversidade da região. A conservação da fauna não depende apenas da proteção de áreas naturais, mas também da compreensão de como pessoas e animais utilizam e compartilham esses espaços. Esperamos que esse conhecimento possa contribuir para promover uma convivência mais equilibrada entre a comunidade e a fauna, valorizando a biodiversidade local e incentivando estratégias de conservação que também considerem as necessidades das pessoas que vivem na região.”

A iniciativa reforça a relevância da cooperação científica internacional para ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade brasileira e fortalecer ações voltadas à conservação da Mata Atlântica e de suas espécies ameaçadas.

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.