Papa Leão XIV clama por diálogo após bombardeios dos EUA e de Israel ao Irã

Robson Alves
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O papa Leão XIV pediu, neste domingo (1º), que Estados Unidos, Israel e Irã interrompam imediatamente a escalada militar iniciada no dia anterior em território iraniano. Em pronunciamento feito no Vaticano, o pontífice advertiu para o risco de “uma tragédia de enormes proporções” e apelou às autoridades envolvidas para que assumam “a responsabilidade moral de pôr fim à espiral de violência antes que se torne um abismo irreparável”.

Os bombardeios lançados por forças norte-americanas e israelenses no sábado (28) deixaram, de acordo com balanço preliminar, ao menos 201 mortos e cerca de 750 feridos. Entre as vítimas fatais confirmadas estão o secretário do Conselho de Defesa iraniano, contra-almirante Ali Shamkhani, e o comandante em chefe do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, major-general Mohammad Pakpour.

A ofensiva ocorreram poucas horas depois da notícia da morte do aiatolá Ali Khamenei, que ocupou o cargo de líder supremo do Irã por 36 anos. A informação foi divulgada pela imprensa oficial iraniana na noite de sábado.

No pronunciamento, Leão XIV defendeu a retomada de negociações. “Que a diplomacia recupere o seu papel e promova o bem dos povos, que anseiam por uma convivência pacífica baseada na justiça”, declarou. O papa acrescentou que “estabilidade e paz não se constroem com ameaças mútuas nem com armas, mas com um diálogo razoável, autêntico e responsável”.

Solidariedade a Minas Gerais

Ao final da mensagem, publicada também na rede social X, o pontífice expressou solidariedade aos moradores da Zona da Mata mineira, atingida por fortes temporais. “Estou próximo da população do estado brasileiro de Minas Gerais, atingida por violentas inundações. Rezo pelas vítimas, pelas famílias que perderam as suas casas e por todos aqueles que estão a trabalhar nas operações de socorro”, escreveu.

Dados atualizados da Polícia Civil indicam 72 mortos em consequência das chuvas: 65 em Juiz de Fora e sete em Ubá, onde ainda há uma pessoa desaparecida.

O apelo papal ocorre enquanto o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas prepara uma reunião de emergência para tratar do conflito no Oriente Médio. Diplomaticamente, governos europeus e o secretário-geral da ONU também instam as partes a retomar o diálogo e evitar novos ataques.

Até o momento, Washington e Tel Aviv não responderam publicamente ao pedido do líder da Igreja Católica. Em Teerã, autoridades de transição, formadas após a morte de Khamenei, informaram que avaliam “todas as opções” antes de uma eventual reação militar.

Especialistas em relações internacionais alertam que a continuidade dos combates pode ampliar a instabilidade regional e afetar rotas de comércio de energia. O Irã, um dos maiores produtores de petróleo do mundo, já sinalizou que não descarta restringir o trânsito no Estreito de Ormuz, ponto estratégico para o escoamento de hidrocarbonetos.

Enquanto isso, agências humanitárias relatam necessidade urgente de medicamentos, mantimentos e abrigo para centenas de civis iranianos feridos ou desalojados. Organizações não governamentais têm dificuldades para acessar áreas mais atingidas devido à insegurança e à destruição de vias de transporte.

Em Roma, fontes do Vaticano informaram que o papa acompanha de perto os desdobramentos diplomáticos e permanece disponível para intermediar conversações, caso as partes solicitem. A Santa Sé vem mantendo contatos com representações estrangeiras para reforçar o chamado à cessação de hostilidades.

Com informações de Agência Brasil

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.