Irã promete novos ataques após morte de Khamenei; Trump reage com ameaça de força sem precedentes

Robson Alves
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Transmissão: Band

Teerã confirmou nesta segunda-feira (data local) o assassinato do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei. Em pronunciamentos sucessivos, autoridades iranianas disseram que a resposta incluirá ofensivas contra bases dos Estados Unidos no Oriente Médio e contra Israel.

O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani, afirmou que “EUA e Israel não poderão dobrar a nação iraniana” e prometeu retaliação ampliada. Em publicação em rede social, Larijani lembrou que, “ontem, o Irã lançou mísseis contra os Estados Unidos e Israel”, causando danos, e acrescentou que o país “atingirá com uma força que eles jamais experimentaram”.

A escalada provocou reação imediata do presidente dos EUA. “É melhor que não façam isso, porque, se fizerem, nós os atingiremos com uma força nunca antes vista”, declarou Donald Trump, da Casa Branca. O chefe do Executivo norte-americano já havia advertido Teerã a evitar qualquer aumento no nível dos ataques.

Em Israel, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu fez pronunciamento na televisão convocando “o povo do Irã” a ir às ruas para “derrubar o regime” dos aiatolás. O premier anunciou que as Forças de Defesa de Israel pretendem atacar “milhares” de alvos iranianos nos próximos dias.

Diante da vacância no comando político, o Irã instituiu um Conselho de Liderança interino responsável por conduzir o país até a escolha do novo líder supremo. O colegiado deverá coordenar as políticas internas e externas durante a transição.

Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores iraniano classificou as ações de Washington e Tel Aviv como “agressão que viola o direito internacional e ameaça todo o mundo”. O comunicado alerta que a “indiferença” da comunidade internacional pode trazer “graves consequências” às gerações futuras.

Contexto dos confrontos

Esta é a segunda ofensiva conjunta de Estados Unidos e Israel contra o Irã em oito meses, período em que eram discutidos novos termos para o programa nuclear e balístico iraniano. Durante o primeiro mandato de Donald Trump, Washington retirou-se, em 2018, do acordo firmado em 2015 que previa inspeção internacional das instalações nucleares iranianas. Israel e EUA sustentam que Teerã busca desenvolver armas atômicas, acusação rejeitada pelos iranianos, que alegam fins pacíficos para o programa e se dizem dispostos a permitir vistorias.

Ao iniciar o segundo mandato, em janeiro de 2025, Trump endureceu exigências: além de desmantelar o setor nuclear, Teerã teria de encerrar o programa de mísseis de longo alcance e cortar apoio a grupos como Hamas, na Palestina, e Hezbollah, no Líbano. Israel, apontado por agências internacionais como detentor de até 90 ogivas, nunca submeteu seu próprio arsenal a inspeções externas.

Com os novos episódios de violência, chancelerias europeias e latino-americanas manifestaram preocupação sobre os riscos de ampliada instabilidade no Oriente Médio, mas ainda não houve anúncio conjunto de mediação.

Até o momento, não foram divulgadas datas para eventual retomada das negociações nem detalhes sobre o cronograma de escolha do sucessor de Khamenei.

Com informações de Agência Brasil

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.