Nova Délhi (20.fev.2026) – O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, anunciou nesta sexta-feira (20) a formação de um Painel Científico Internacional Independente sobre Inteligência Artificial, composto por 40 especialistas indicados pela Assembleia Geral da ONU, com a missão de garantir “controle humano” sobre sistemas de IA.
O pronunciamento ocorreu durante a Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial, realizada na capital indiana. O grupo deverá atuar de forma semelhante ao Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), produzindo avaliações técnicas, mapeando riscos e propondo salvaguardas baseadas em evidências.
Resistência dos Estados Unidos
A proposta encontrou oposição imediata da delegação norte-americana. Michael Kratsios, conselheiro de tecnologia da Casa Branca e chefe da comitiva dos EUA no encontro, afirmou que Washington “rejeita totalmente” qualquer modelo de governança global da IA. Segundo ele, submeter o desenvolvimento da tecnologia a instâncias burocráticas “minaria a prosperidade” e travaria a inovação.
Kratsios reiterou a posição já defendida pela administração do presidente Donald Trump em outras ocasiões, criticando abordagens que, em sua visão, utilizam riscos como clima ou equidade como justificativa para centralização de decisões.
Temor de desigualdades
O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, declarou que, sem ação coletiva, a inteligência artificial “aprofundará desigualdades históricas”. Para Lula, algoritmos representam hoje um instrumento de poder: “Quando poucos controlam as infraestruturas digitais, não falamos de inovação, mas de dominação”.
Debate global ampliado
Esta é a quarta edição anual da conferência dedicada à formulação de políticas para IA; é também a primeira em um país em desenvolvimento. As três reuniões anteriores — França, Coreia do Sul e Reino Unido — terminaram com comunicados considerados vagos. A próxima rodada está marcada para Genebra, no primeiro semestre de 2027.
Anfitrião do evento, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, ressaltou que a convivência entre humanos e sistemas inteligentes “deve servir ao bem comum mundial”. O governo indiano estima atrair mais de US$ 200 bilhões em investimentos no setor nos próximos dois anos, meta impulsionada por novos acordos com empresas norte-americanas anunciados durante a semana.
Clamor por regulação
Sam Altman, diretor-executivo da OpenAI e responsável pelo ChatGPT, defendeu a necessidade “urgente” de regras para uso da tecnologia. “Democratizar a IA é o melhor caminho para garantir que a humanidade prospere”, disse, complementando que salvaguardas são “óbvias e indispensáveis”.
Os debates em Nova Délhi reuniram milhares de participantes e abarcaram temas como proteção infantil, impacto sobre empregos e acesso equitativo às ferramentas de IA. Apesar da abrangência, permanece a incerteza sobre o teor da declaração final, já que edições passadas terminaram sem compromissos concretos.
Guterres reforçou que a orientação científica não deve ser vista como obstáculo, mas como caminho para um progresso “mais seguro, justo e amplamente compartilhado”. Ao defender o novo painel, concluiu: “Compreender o que os sistemas podem — e não podem — fazer permitirá criar barreiras de proteção inteligentes, baseadas em risco”.
Com informações de G1
Siga o Foco SE e entre no nosso grupo de notícias de Sergipe.



