Método Canguru reforça cuidado humanizado a prematuros na Maternidade Nossa Senhora de Lourdes

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Bebês que chegam ao mundo antes das 37 semanas de gestação e com peso inferior a 2,5 kg recebem atenção especial na Maternidade Nossa Senhora de Lourdes (MNSL), em Aracaju. A unidade de alto risco da Secretaria de Estado da Saúde de Sergipe adota integralmente o Método Canguru, estratégia nacional que combina tecnologia, acolhimento familiar e acompanhamento contínuo.

O que é o Método Canguru

Baseado no contato pele a pele, o método tenta reproduzir fora do útero as condições necessárias para o desenvolvimento do prematuro. A coordenadora estadual da iniciativa, Amanda da Silva Andrade Prado, explica que a prática garante estabilidade fisiológica, favorece a maturação neurológica, aumenta o sucesso do aleitamento materno, fortalece a imunidade e reduz a morbimortalidade. “Colocar o bebê sobre o peito dos pais é o aspecto mais conhecido, mas o protocolo também envolve participação ativa da família, controle do ambiente para proteção neurológica e seguimento ambulatorial após a alta”, afirma.

No modelo brasileiro, o contato pode ser realizado pela mãe, pelo pai ou por outro responsável legal, sempre restrito ao núcleo familiar.

Três etapas de cuidado contínuo

A preparação começa ainda no pré-natal de risco, na Atenção Primária à Saúde, quando a gestante recebe orientações sobre a possibilidade de parto prematuro. Após o nascimento, o recém-nascido ingressa na primeira etapa, na UTI Neonatal ou na Unidade de Cuidados Intermediários, onde ocorre a estabilização clínica e o início da aproximação com os pais.

Na segunda fase, já na Unidade de Cuidados Intermediários Canguru (UCINCa), os pais permanecem ao lado do filho 24 horas por dia, realizam a posição canguru e assumem gradualmente os cuidados, sempre supervisionados pela equipe. Com evolução satisfatória, a alta precoce é autorizada e se inicia a terceira etapa: acompanhamento ambulatorial até que o bebê atinja em média 2,5 kg, com responsabilidades compartilhadas entre hospital e rede básica.

Referência estadual

Implantado em Sergipe em 2004, inicialmente na Maternidade Hildete Falcão Batista, o Método Canguru está hoje plenamente desenvolvido na MNSL. A unidade dispõe de 27 leitos habilitados na UCINCa, número que a credencia como a maior enfermaria Canguru do país, segundo cadastro do Ministério da Saúde. Outros cinco leitos funcionam na Maternidade Lourdes Nogueira. Embora outras maternidades públicas sergipanas já adotem princípios do método, ainda não possuem leitos próprios para a segunda etapa.

Relato de quem vive a experiência

A puérpera Alessandra Santos Rodrigues, de Estância, vive a rotina desde que a filha Maite Riane nasceu aos 31 semanas e 2 dias, com 1,51 kg e 41 centímetros. “Cada dia é uma vitória. Minha bebê ganha peso, sente meu calor e escuta meus batimentos, como se ainda estivesse na barriga”, conta. Mãe de outras duas crianças, Alessandra reconhece que o ritmo do prematuro exige adaptação, mas elogia o suporte recebido: “A equipe multidisciplinar é atenciosa e acolhe a mãe tanto quanto o bebê”.

Com 27 leitos dedicados ao cuidado canguru e integração entre família, hospital e Atenção Primária, a Maternidade Nossa Senhora de Lourdes consolida uma rede de apoio que combina ciência e afeto para garantir o melhor início de vida aos prematuros.

Com informações de Saude.se.gov

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