Medidas provisória e resoluções da ANTT levam caminhoneiros a desistir de greve nacional

Portal de Notícias Foco SE
4 Min Leitura

A publicação da Medida Provisória 1.343/2026 e das Resoluções 6.077/2026 e 6.078/2026 da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), nesta quarta-feira, 25 de março, alterou o cenário de mobilização dos transportadores de carga. As novas normas obrigam o cumprimento do piso mínimo do frete e fizeram representantes da categoria abandonarem a ideia de paralisar rodovias em todo o país, ação que vinha sendo articulada desde uma reunião realizada em Santos (SP) na metade do mês.

O piso mínimo do transporte rodoviário de cargas é reivindicação dos caminhoneiros desde 2018, quando uma greve de dez dias paralisou a logística nacional. Agora, o governo federal instituiu instrumentos para garantir o pagamento correto e prometeu acompanhar de perto a aplicação das regras.

Sanções e bloqueio de CIOT

A Resolução 6.077/2026 cria punições graduais para embarcadores e contratantes que oferecerem fretes abaixo do valor mínimo legal. Já a Resolução 6.078/2026 determina que não será emitido o Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) quando o preço acordado estiver inferior ao piso. Sem o CIOT, o transporte é considerado irregular e fica impedido de circular.

As duas resoluções operacionalizam a MP 1.343/2026, que tem validade inicial de 60 dias enquanto tramita no Congresso Nacional. O texto pode ser prorrogado uma vez pelo mesmo período, mas caduca na segunda quinzena de julho caso não seja votado por deputados e senadores.

Reajuste vinculado ao diesel

O piso mínimo varia conforme número de eixos do caminhão, volume transportado, tipo de carga, necessidade de controle de temperatura e uso ou não de contêiner. De acordo com a legislação, os valores serão revisados sempre que o preço do diesel oscilar 5% ou mais, compromisso reafirmado pelo governo.

Categoria vê avanço e descarta greve

Luciano Santos, presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos da Baixada Santista e Vale do Ribeira, afirmou que a decisão de cancelar a paralisação decorre do atendimento às principais demandas. “O caminhoneiro quer estar na estrada, mas precisa que as regras sejam cumpridas. O piso mínimo garante dignidade”, declarou.

Fiscalização ampliada

Em reunião em Brasília, o diretor-geral da ANTT, Guilherme Theo Sampaio, informou que o volume de operações de fiscalização aumentou em 2.000% após a edição das novas normas. Segundo ele, além de assegurar o pagamento justo do frete, a agência pretende combater sonegação de impostos e lavagem de dinheiro, acompanhando o fluxo financeiro das cargas.

Compromisso de diálogo permanente

O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, participou do encontro e destacou a importância do transporte rodoviário para o abastecimento do país. Ele afirmou que o governo manterá uma mesa de diálogo constante com os caminhoneiros e atuará junto à base parlamentar para evitar mudanças que possam enfraquecer a medida provisória.

Com os novos instrumentos legais em vigor e a promessa de fiscalização intensa, lideranças do setor afirmam não haver, por ora, motivo para parar os veículos. A categoria seguirá acompanhando a tramitação da MP no Congresso e a efetividade das sanções previstas pelas resoluções.

Com informações de Agência Brasil

Compartilhe essa Notícia
Conta institucional do Foco SE. Assina as matérias produzidas ou editadas pela equipe do portal, quando não há assinatura individual. Correções, complementações e pedidos de direito de resposta podem ser enviados para contato@focose.com.br e são publicados com o mesmo destaque da matéria original, nos termos da Lei nº 13.188/2015.