Medicamentos que podem comprometer segurança ao volante são detalhados por especialistas

Claudio Vasconcelos
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A Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet) divulgou uma diretriz que classifica remédios capazes de afetar a capacidade de dirigir com segurança. O documento foi apresentado no 16º Congresso Brasileiro de Medicina do Tráfego, realizado em Salvador, e alerta que substâncias presentes em analgésicos, ansiolíticos, antidepressivos e antialérgicos, entre outras, podem aumentar o risco de acidentes.

O diretor da Abramet, Adriano Isabella, explicou que o ato de dirigir exige coordenação entre cognição e função motora. “O uso de determinados medicamentos eleva significativamente o risco de sinistros de trânsito”, afirmou. Ele ressaltou que fatores como idade, peso, dose, horário de ingestão e consumo de álcool influenciam a intensidade dos efeitos.

Analgésicos

Estudos não identificaram aumento de acidentes entre motoristas que usam ácido acetilsalicílico ou paracetamol. Já opioides elevam em até oito vezes o risco de ferimentos graves e em cinco vezes o risco de morte em acidentes.

Relaxantes musculares

Pesquisas com carisoprodol apontaram sedação e falhas de atenção em simuladores de direção, com maior risco já na primeira semana de uso. A ciclobenzaprina pode causar sonolência, visão turva e prejuízos à coordenação motora.

Ansiolíticos, sedativos e hipnóticos

O uso de benzodiazepínicos aumenta a chance de acidentes; estima-se que 2% da população adulta brasileira faça uso desse tipo de medicamento. Testes não mostraram alteração de desempenho com buspirona, enquanto os chamados hipnóticos Z apresentaram efeitos negativos comprovados.

Antidepressivos

Antidepressivos tricíclicos elevam o risco de acidentes, mesmo em doses noturnas baixas, sobretudo entre idosos. Inibidores seletivos de serotonina, por outro lado, costumam ser bem tolerados. A trazodona pode provocar perda de memória, sedação e déficits cognitivos.

Antialérgicos

Anti-histamínicos de primeira geração, como difenidramina e tripolidina, prejudicam significativamente a condução. Os de segunda geração podem afetar o desempenho de forma variável, enquanto os de terceira geração não apresentaram comprometimento após o uso.

Antipsicóticos e canabinóides

A maioria dos antipsicóticos tem efeito sedativo e pode interferir na direção. Medicamentos à base de cannabis que contêm THC também comprometem cognição, visão e coordenação motora por várias horas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem registrado aumento de transtornos mentais, como ansiedade e depressão, o que favorece a automedicação. A Abramet recomenda que motoristas consultem profissionais de saúde antes de combinar tratamento medicamentoso com a direção de veículos.

Fonte: Agência Brasil

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Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.