A Maternidade Nossa Senhora de Lourdes (MNSL), vinculada à Secretaria de Estado da Saúde de Sergipe, reforçou o trabalho de assistência psicológica prestado às pacientes internadas na unidade, referência para partos de alto risco e atendimentos a bebês prematuros. O serviço conta com 14 psicólogos que atuam durante todo o ano em todas as alas, com destaque para as ações do Janeiro Branco, campanha nacional dedicada à conscientização sobre saúde mental.
Atendimento do acolhimento à alta
De acordo com o psicólogo Magno Guedes, integrante da Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (Utin), o suporte psicológico está inserido em todos os fluxos da maternidade. As mulheres recebem acolhimento desde a admissão até a alta hospitalar, em um acompanhamento que leva em conta cada etapa da internação. O profissional explica que a equipe se baseia em princípios éticos, respeito aos limites de atuação e compromisso com a dignidade emocional de mulheres, bebês e familiares.
Magno observa que gestar em contexto de alto risco pode provocar impacto significativo na subjetividade da mulher e dos parentes. Por isso, o psicólogo funciona como um mobilizador de processos de humanização, oferecendo sustentação emocional quando a experiência da maternidade se torna incerta ou marcada pelo medo. Ainda segundo ele, instrumentos como escuta qualificada e validação do sofrimento, sem julgamentos, são fundamentais para reconhecer sentimentos ambivalentes – amor e raiva, esperança e temor – que frequentemente emergem nesse período.
Intervenções voltadas à família
A atuação não se restringe às mães. A equipe também acompanha familiares e rede de apoio, muitas vezes invisibilizados no processo de cuidado. O objetivo é manter a estabilidade emocional diante de situações imprevisíveis, em que as respostas clínicas nem sempre são imediatas, garantindo sustentação até a conclusão do tratamento hospitalar.
Depoimentos de quem recebeu apoio
A agricultora Letícia Costa, de Poço Verde, foi uma das pacientes beneficiadas. Seu filho, Antônio Levi, nasceu prematuro extremo, pesando 928 gramas, e permaneceu 60 dias na Utin antes de seguir para a Ala Canguru, onde ficou outros 22 dias. Ela relata que, nos momentos mais difíceis, o suporte dos psicólogos lhe deu força para enfrentar as oscilações do quadro clínico do bebê.
Experiência semelhante vive a dona de casa Taís Menezes, 23 anos, de Japaratuba. Sua filha, internada desde 31 de dezembro com hidrocefalia e mielomeningocele, já passou por duas cirurgias. Taís afirma que o acompanhamento psicológico foi decisivo para controlar a ansiedade e o choro recorrente, permitindo-lhe atravessar a internação com mais tranquilidade.
Imagem: Divulgação
Equipe multidisciplinar e enfoque humanizado
O trabalho dos 14 psicólogos está integrado a uma equipe multidisciplinar que reúne médicos, enfermeiros e assistentes sociais. Além das visitas regulares aos leitos, os profissionais participam de discussões de caso, elaboram planos terapêuticos conjuntos e promovem rodas de conversa quando necessário. Com isso, buscam garantir que a assistência ultrapasse a dimensão física do cuidado, contemplando, também, as necessidades emocionais dos pacientes.
Ao intensificar ações no Janeiro Branco e manter o suporte durante todo o calendário, a MNSL pretende assegurar que cada paciente de alto risco encontre um ambiente acolhedor e atento à saúde mental, entendida como parte indissociável do processo de gestação, parto e recuperação.
Com informações de Saude.se.gov
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