Lupi afirma que governo monitorava suspeitas, mas desconhecia extensão das fraudes no INSS

Rafael Ramos
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Brasília, 8 de setembro de 2025 – O ex-ministro da Previdência Social Carlos Lupi declarou, em depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, que o governo federal acompanhava denúncias de irregularidades em aposentadorias desde 2023, mas não possuía a real dimensão das fraudes descobertas posteriormente.

Segundo Lupi, as queixas chegavam ao ministério pela ouvidoria e pelo aplicativo Meu INSS. “Nunca tivemos a capacidade de dimensionar o volume que esses criminosos fizeram no INSS. Isso só foi possível depois que a Polícia Federal investigou para valer”, afirmou.

Investigação policial

O ex-ministro lembrou que a Polícia Federal (PF) abriu investigações em 2016 e 2020 sobre possíveis fraudes na Previdência, ambas arquivadas. Ele disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva soube das irregularidades apenas no dia em que a PF e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram a Operação Sem Desconto, em abril deste ano, contra descontos não autorizados em benefícios de aposentados e pensionistas.

Norma ineficaz

Lupi reconheceu que a instrução normativa editada pelo INSS em 2024 para estabelecer critérios de descontos de mensalidades associativas não produziu os resultados esperados. “Falhamos em ter uma ação mais enérgica do INSS para coibir”, disse.

Ministro entre 2023 e 2025, ele deixou o cargo em maio, após a operação da PF, e destacou que não foi denunciado nem citado nas investigações. “Errar é humano e posso ter errado várias vezes, mas má-fé eu nunca tive”, declarou.

Crédito consignado

Durante o depoimento, o ex-ministro também defendeu a revisão dos descontos de empréstimos consignados nos benefícios. “Acabaram com o desconto em folha dos associativos; por que não acabar também com os descontos de crédito consignado?”, questionou.

Trâmite na CPMI

No início da reunião, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) pediu a suspensão do senador Rogério Marinho (PL-RN), ex-secretário Especial da Previdência Social no governo Jair Bolsonaro, alegando possível conflito de interesse. O pedido foi negado pelo senador Carlos Viana (Podemos-MG), que preside a sessão; Pimenta informou que recorrerá à Mesa Diretora da Câmara.

A CPMI já aprovou a convocação de todos os ex-ministros da Previdência e ex-presidentes do INSS desde 2015, além de presidentes de entidades associativas investigadas. Também devem prestar esclarecimentos Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e o empresário Maurício Camisotti, apontados pela PF como possíveis operadores do esquema.

Operação Sem Desconto

Deflagrada em abril deste ano, a operação da PF e da CGU apura descontos associativos não autorizados que somariam cerca de R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024. Mais de 4 milhões de beneficiários afirmam não ter autorizado os débitos, e cerca de 2 milhões já aderiram ao acordo de ressarcimento.

Não há previsão de nova data para conclusão dos trabalhos da CPMI.

Fonte: Agência Brasil

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.