Lula vai ao G7 e pode confrontar Trump sobre tarifas e bloqueio à carne

Claudio Vasconcelos
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O presidente Lula viaja neste domingo à França para a Cúpula do G7. O encontro gera expectativa sobre um possível embate com Trump em temas que afetam diretamente a economia brasileira.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca neste domingo (13) para Évian-les-Bains, na França, onde participará como convidado da Cúpula do G7. Esse fórum reúne as sete maiores economias industrializadas do mundo.

Esta será a 10ª vez que Lula participa desse encontro ao longo de seus três mandatos. Os países que fazem parte do G7 são: Canadá, Estados Unidos, Reino Unido, França, Itália, Alemanha e Japão. A União Europeia também participa como membro institucional.

A ida de Lula ao G7 gera expectativa em relação a possíveis interações com o presidente dos EUA, Donald Trump, especialmente em um momento de tensão entre os dois países. Isso ocorre duas semanas após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) indicar a imposição de uma taxa de 25% sobre algumas importações brasileiras.

O relatório do USTR é resultado de uma investigação que começou há um ano, apontando supostas práticas desleais do Brasil no comércio com os EUA. Entre os argumentos apresentados, a instituição alega que o sistema de pagamentos instantâneos, conhecido como Pix, prejudica de maneira injusta empresas americanas que atuam na área de pagamentos eletrônicos, como as operadoras de cartões de crédito MasterCard e Visa, além do WhatsApp Pay.

Até o momento, não há confirmação sobre uma reunião bilateral entre Lula e Trump. Caso ocorra, será mais de um mês após o último encontro entre eles na Casa Branca, em maio. Na ocasião, Lula mencionou que as equipes de ambos os governos foram instruídas a apresentar uma proposta para resolver o impasse sobre tarifas de exportação, mas isso ainda não se concretizou.

“Isso [encontro entre Lula e Trump] não está definido. Com os Estados Unidos, os contatos seguem. Por enquanto, é o que eu posso dizer, e que estão em andamento de uma forma intensa, desde sempre”, afirmou o embaixador Philip Fox-Drummond Gough, secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Ministério das Relações Exteriores.

Outro ponto de atenção na viagem de Lula ao G7 diz respeito à relação com a União Europeia. Recentemente, o bloco oficializou a proibição da importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. Essa restrição deve entrar em vigor no próximo dia 3 de setembro.

A decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial em 5 de junho. Não há definição sobre um possível encontro de Lula com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

“Óbvio que eu acho que o recado principal que queremos passar aos europeus é que ficamos um pouco surpresos com a maneira como foi. Algumas medidas da União Europeia nos causam preocupação”, destacou o embaixador Gough.

Enquanto as reuniões bilaterais de Lula durante a cúpula do G7 não se confirmam, já está agendado um encontro com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi. Este será o primeiro encontro oficial entre os dois, com a expectativa de abrir negociações sobre um futuro acordo entre o Japão e o Mercosul.

A cúpula do G7, presidida pela França, ocorrerá de 15 a 17 de junho. Além do Brasil, outros líderes de países importantes, como Índia, Quênia, Coreia do Sul e Egito, também foram convidados.

O Itamaraty confirmou a participação de Lula em três eventos durante o G7. No dia 16, ele discursará em uma sessão de líderes sobre parcerias internacionais para o desenvolvimento, com ênfase na ampliação da Assistência Oficial ao Desenvolvimento (AOD).

No dia 17, em outra sessão de líderes, Lula abordará o crescimento econômico equilibrado e a reforma da governança global, especialmente em instituições como a Organização Mundial do Comércio e a Organização das Nações Unidas.

Ainda no dia 17, a comitiva brasileira participará de um almoço com o foco principal em Inteligência Artificial.

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Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.