Lula pede ação conjunta do Mercosul contra crime organizado e violência de gênero

Rafael Ramos
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu neste sábado, 20 de dezembro, durante a Cúpula do Mercosul, em Foz do Iguaçu (PR), que o enfrentamento ao crime organizado seja tratado como prioridade pelos cinco países que compõem o bloco — Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai — independentemente da orientação política de seus governos.

Segundo Lula, o fortalecimento das redes ilícitas está ligado ao enfraquecimento das instituições democráticas, o que exige respostas coordenadas. “A segurança pública é um direito do cidadão e um dever do Estado, independentemente de ideologia”, afirmou.

Entre as iniciativas já em curso, o presidente mencionou a criação, há mais de uma década, de um fórum de autoridades especializadas em políticas antidrogas, a assinatura recente de um acordo contra o tráfico de pessoas, a formação de uma comissão voltada a estratégias comuns no combate ao crime transnacional e a instalação de um grupo de trabalho para recuperar ativos obtidos de forma ilícita.

Ambientes digitais na mira

Lula destacou a necessidade de regulamentar plataformas digitais a fim de coibir atividades criminosas online. Ele anunciou que, em consulta com o Uruguai, o Brasil pretende convocar uma reunião de ministros da Justiça e da Segurança Pública do Consenso de Brasília para ampliar a cooperação sul-americana nessa área.

Violência contra as mulheres

O presidente também chamou atenção para a violência de gênero na região. Citou dados da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), segundo os quais 11 mulheres latino-americanas são assassinadas todos os dias. Lula informou ter enviado ao Congresso Nacional um acordo que garante a extensão de medidas protetivas a mulheres que cruzem as fronteiras internas do Mercosul e sugeriu ao Paraguai, novo presidente pro tempore do bloco, um pacto regional pelo fim do feminicídio.

Preocupação com possível conflito armado

No discurso, Lula alertou para o risco de intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, classificando a possibilidade como “catástrofe humanitária” para o hemisfério. Ele lembrou que a América do Sul não presencia presença militar extrarregional tão significativa desde a Guerra das Malvinas, há mais de 40 anos.

Defesa da democracia

Ao final, o presidente ressaltou que as instituições brasileiras conseguiram resistir à tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023. “Os culpados foram investigados, julgados e condenados conforme o devido processo legal. Pela primeira vez na nossa história, o Brasil acertou as contas com o passado”, declarou.

Fonte: Agência Brasil

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.