O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da França, Emmanuel Macron, comprometeram-se nesta quarta-feira (20) a reforçar as conversas que visam à assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia ainda neste semestre, período em que o Brasil ocupa a presidência rotativa do bloco sul-americano.
Em telefonema que durou cerca de uma hora, os dois chefes de Estado reiteraram apoio ao multilateralismo e ao livre-comércio. Segundo nota do Palácio do Planalto, Lula manifestou preocupação com “posturas protecionistas” e repudiou o uso político de tarifas, aludindo à recente elevação para 50% de impostos sobre produtos brasileiros determinada pelo presidente norte-americano Donald Trump.
Resistências francesas
O acordo Mercosul-UE, negociado há mais de duas décadas, ainda enfrenta resistência, principalmente da França, que cobra exigências ambientais mais rígidas. Lula, por sua vez, voltou a classificar a posição francesa como protecionista em relação ao setor agrícola.
Novas frentes comerciais
A nota do governo brasileiro lembra que o Mercosul já fechou entendimento com a Associação Europeia de Livre Comércio (Efta) — formada por Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça — e mantém tratativas com Japão, Vietnã e Indonésia. Lula também articula para setembro uma cúpula virtual do Brics.
Tarifas dos Estados Unidos
Especialistas ouvidos pela Agência Brasil avaliam que a medida norte-americana tem caráter de pressão política contra o Brics, grupo que, na visão de Washington, ameaça a hegemonia do dólar. Durante a ligação, Lula informou a Macron que o Brasil recorreu à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as “tarifas injustificadas”.
COP30 em Belém
Macron confirmou presença na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), marcada para novembro de 2025 em Belém (PA). Lula afirmou que o evento será “a COP da verdade” e cobrou metas climáticas mais ambiciosas da União Europeia.
Imagem: Internet
Guerra na Ucrânia e defesa
Os presidentes trocaram impressões sobre as negociações de paz entre Rússia e Ucrânia. Macron elogiou o “Grupo de Amigos da Paz”, iniciativa conduzida por Brasil e China para apoiar entendimentos diplomáticos. Ambos também expressaram preocupação com o aumento dos gastos militares globais e defenderam reformas em instituições multilaterais.
No âmbito bilateral, ficou decidido o aprofundamento da cooperação em defesa, área na qual Brasil e França já desenvolvem programas conjuntos de helicópteros, submarinos e satélites.
Com informações de Agência Brasil
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