Lula e chanceler alemão Merz condenam guerra no Oriente Médio e rejeitam intervenção em Cuba

Robson Alves
5 Min Leitura

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o chanceler alemão Friedrich Merz se reuniram em Hannover, na Alemanha, na segunda-feira, 20 de abril de 2026, e manifestaram preocupação com a escalada de conflitos no Oriente Médio e com ameaças de intervenção em Cuba. O encontro ocorreu paralelamente à participação de Lula na abertura da Hannover Messe, maior feira industrial do mundo, e a uma agenda voltada para parcerias comerciais e tecnológicas entre Brasil e Alemanha.

Durante a visita, que marcou o terceiro encontro entre os dois desde 2023, os governantes assinaram acordos de cooperação em áreas como defesa, inteligência artificial, tecnologias quânticas, infraestrutura, economia circular, eficiência energética, bioeconomia e pesquisas oceânicas e climáticas. Também houve reunião com empresários brasileiros e alemães, com destaque para o setor de biocombustíveis.

Oriente Médio e estabilidade internacional

Lula e Merz afirmaram que o atual conflito no Oriente Médio carece de justificativa e apontaram a inação de órgãos multilaterais como um fator que agrava a instabilidade. O presidente brasileiro citou, além da região do Oriente Médio, o cenário na Ucrânia e o risco de renovação das hostilidades no Irã e no Líbano, ressaltando a ameaça à sobrevivência do Estado palestino e ao seu povo.

O chanceler alemão informou ter solicitado uma reunião extraordinária na Organização das Nações Unidas para discutir medidas a serem propostas e manifestou preocupação com o fechamento do Estreito de Ormuz, que ele relacionou ao aumento dos preços do petróleo e a potenciais impactos econômicos além da região. Merz apelou por cessar-fogo e por soluções diplomáticas, inclusive por parte dos Estados Unidos.

Cuba e ameaças de intervenção

Em relação a Cuba, Merz declarou que a Alemanha não enxerga base legal para uma intervenção militar no país e defendeu a busca por alternativas diplomáticas. Lula reafirmou posicionamento contrário a ações unilaterais que violem a integridade territorial de outras nações, mencionando Venezuela, Ucrânia, Irã e a Faixa de Gaza como exemplos de territórios em que se opõe a ingerência externa.

O presidente brasileiro também criticou o bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos a Cuba, vigente há quase sete décadas, e afirmou que a prevalência da lei do mais forte já mostrou resultados negativos em outras ocasiões.

Acordo Mercosul-União Europeia e comércio

Os líderes comemoraram a aprovação do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que deve entrar em vigor de forma provisória a partir de maio de 2026. Merz destacou que o Brasil foi um defensor do acordo e afirmou que sua vigência fortalecerá cooperação em tecnologia, inteligência artificial, economia circular, agricultura e energia.

Lula disse que o acordo abre espaço para uma parceria ampla, que inclui proteção a trabalhadores, direitos humanos e meio ambiente, e criticou medidas europeias que, segundo ele, aplicam métricas de carbono que não reconhecem a baixa intensidade de emissões do modelo produtivo brasileiro baseado em fontes renováveis.

Minerais críticos e biocombustíveis

Merz manifestou interesse alemão em aprofundar a cooperação na exploração de minerais críticos, essenciais para tecnologias modernas e para a transição energética. O Brasil foi apontado como detentor de grandes reservas dessas matérias‑primas. Lula afirmou que o país busca não apenas exportar insumos, mas também desenvolver tecnologia e atrair cadeias de processamento ao território nacional.





Ambos ressaltaram o potencial dos biocombustíveis como ferramenta de descarbonização do transporte. Lula defendeu a capacidade brasileira de produzir etanol e biodiesel sem ameaçar alimentos ou áreas de floresta, enquanto Merz mencionou exemplos de tecnologias movidas a biocombustível apresentados na feira de Hannover.

Na declaração conjunta, os dois líderes também ressaltaram a importância da estabilidade energética global e a necessidade de soluções diplomáticas para evitar maior desestabilização política e econômica.

Compartilhe essa Notícia
Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.