Rio de Janeiro, 13 de março de 2026 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (13) que o assessor do governo do presidente norte-americano Donald Trump, Darren Beattie, só poderá desembarcar no Brasil depois que o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, recuperar o direito de entrar nos Estados Unidos.
“Aquele cara americano que disse que vinha pra cá, para visitar Jair Bolsonaro, foi proibido de visitar. E eu o proibi de vir ao Brasil enquanto não liberar os vistos do meu ministro da Saúde, que estão bloqueados”, disse Lula durante agenda oficial no Rio de Janeiro.
O chefe do Executivo lembrou que, em agosto de 2025, as autoridades norte-americanas cancelaram os vistos da esposa e da filha de 10 anos de Padilha. Naquele momento, o visto do próprio ministro encontrava-se vencido, impossibilitando o cancelamento. “Padilha, esteja certo que você está sendo protegido”, acrescentou Lula.
Visita a Bolsonaro vetada
Na quinta-feira (14), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes negou o pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro para receber a visita de Darren Beattie no Centro de Detenção da Papuda, em Brasília. Segundo Moraes, a presença do assessor estrangeiro não foi comunicada ao Itamaraty e não constava da agenda oficial da delegação norte-americana.
Risco de ingerência
A posição foi reforçada pelo Ministério das Relações Exteriores. Em ofício encaminhado ao STF, o chanceler Mauro Vieira alertou que o encontro “poderia configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro”, sobretudo em ano eleitoral. Para o Itamaraty, a reunião de um funcionário de Estado estrangeiro com um ex-presidente detido representaria potencial interferência no processo político doméstico.
Pedido da defesa
O pedido de Bolsonaro chegou ao Supremo na terça-feira (10). A defesa solicitou autorização para que Beattie visitasse o ex-mandatário na manhã de segunda-feira (16) ou de terça-feira (17), datas que coincidem com a passagem oficial do assessor pelo Brasil. Os advogados também pediram permissão para a entrada de um tradutor no estabelecimento prisional.
Beattie atua no Departamento de Estado dos Estados Unidos e é responsável por temas relativos ao Brasil. A negativa do STF, somada à posição do Palácio do Planalto, inviabiliza, por ora, qualquer deslocamento do assessor norte-americano ao país.
Com a condição imposta por Lula, a presença de Darren Beattie em território brasileiro dependerá da regularização do visto de Alexandre Padilha junto às autoridades norte-americanas, o que ainda não tem previsão para ocorrer.
Com informações de Agência Brasil
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