O presidente Lula foi direto ao criticar a nova tarifa proposta pelos EUA sobre produtos brasileiros. Em declaração após o G7, na França, ele não poupou palavras contra Trump.
O presidente Lula criticou a proposta do governo dos Estados Unidos de implementar uma nova tarifa sobre as exportações brasileiras, enquanto as negociações comerciais entre os dois países estão em andamento.
Em uma declaração à imprensa nesta quarta-feira (17), após a cúpula do G7 em Évian, França, Lula afirmou:
“Eu não pedi bilateral para o Trump porque nós estamos em negociação. Eu acho que o que ele fez foi uma coisa desaforada para o Brasil, ele sabe disso. É por isso que eu disse que ele ainda continua agindo como imperador.”
O presidente destacou que o Brasil estava em meio a acordos comerciais e que seus ministros estavam em contato direto com os representantes do governo americano. Lula mencionou que havia entregue um documento sobre o crime organizado ao presidente Trump, evidenciando a capacidade da Polícia Federal brasileira em combater esse problema.
Recentemente, a Casa Branca anunciou a possibilidade de uma tarifa punitiva de 25% sobre importações brasileiras, alegando práticas desleais por parte do Brasil.
Lula também reiterou sua proposta de um debate abrangente sobre comércio global durante a cúpula do G20, marcada para dezembro nos Estados Unidos.
“Eu, hoje, ao terminar a minha fala, disse ao presidente Trump: ‘Quer discutir a questão comercial com seriedade no mundo? Vamos discutir no G20’.”
O presidente brasileiro enfatizou a necessidade de uma discussão mais séria sobre questões econômicas, ressaltando a presença de líderes de várias nações no G20.
Além disso, Lula mencionou o superávit do Brasil no comércio com a China e o déficit em relação aos Estados Unidos, destacando a vantagem que a China tem conquistado no mercado internacional.
“Eu disse ao presidente Trump que faz muitos anos que o Brasil faz licitação internacional e os Estados Unidos não participam. A União Europeia não participa. Quem participa? A China.”
O presidente também expressou sua preocupação com os impactos da inteligência artificial no mercado de trabalho, um tema que levantou durante seu encontro com empresários do setor de tecnologia no G7.
“Eu conheço a inteligência artificial na área da saúde, na área da educação, na área da indústria, muito, muito maravilhoso. Agora, quem vai gerar empregos para os chamados mercados dos inúteis?”
Lula defendeu que o Estado deve assumir a responsabilidade em relação a essa questão.
Por fim, Lula se encontrou com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e reiterou a importância do Conselho de Segurança da ONU para atuar na resolução do conflito entre Ucrânia e Rússia, que já se estende por mais de quatro anos.
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