Lula abre Assembleia da ONU com críticas a sanções, defesa da democracia e apelo climático

Robson Alves
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugurou o debate geral da 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, com um discurso de aproximadamente 18 minutos. O chefe de Estado abordou temas internos e internacionais, enfatizando a defesa da democracia, críticas a sanções unilaterais e a urgência do combate às mudanças climáticas.

Crítica a sanções e autoritarismo

Sem mencionar diretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Lula denunciou o que chamou de “sanções arbitrárias e intervenções unilaterais”. Segundo ele, o multilateralismo enfrenta “uma nova encruzilhada” e a autoridade da ONU “está em xeque” diante do avanço do autoritarismo.

Julgamento de Bolsonaro

Lula recordou que, “pela primeira vez em 525 anos de história do Brasil”, um ex-presidente foi condenado por atentar contra o Estado Democrático de Direito. Ele se referiu ao julgamento concluído neste mês pelo Supremo Tribunal Federal, que considerou Jair Bolsonaro e aliados culpados por tentativa de golpe. O presidente reforçou que “não há pacificação com impunidade”.

Migração e desigualdade

O presidente comemorou a saída do Brasil do Mapa da Fome e qualificou pobreza e desigualdade como inimigas da democracia. Ele criticou disparidades de gênero e a responsabilização de migrantes por crises globais, afirmando que “a democracia falha quando as mulheres ganham menos que os homens” e “perde quando culpa migrantes pelas mazelas do mundo”.

Regulação de big techs

Lula apontou riscos e oportunidades das grandes empresas de tecnologia, lembrando que o Brasil aprovou legislação considerada avançada para proteger crianças e adolescentes no ambiente digital. “A democracia também se mede pela capacidade de proteger as famílias e a infância”, disse.

Conflito em Gaza

Em tom duro, o presidente classificou como “genocídio” a situação na Faixa de Gaza. Condenou os ataques do Hamas, mas ressaltou que “nada justifica o genocídio em curso”. Lula defendeu o reconhecimento do Estado da Palestina e alertou que o povo palestino “corre o risco de desaparecer”.

América Latina

Sobre a região, Lula mencionou “polarização e instabilidade” e afirmou que a via do diálogo não deve ser fechada na Venezuela. Reiterou apoio a um futuro livre de violência para o Haiti e considerou “inadmissível” a inclusão de Cuba na lista de países que patrocinam o terrorismo.

Clima e COP 30

O presidente propôs a criação de um conselho na ONU para monitorar ações climáticas e convocou metas ambiciosas de redução de emissões. “Bombas e armas nucleares não vão nos proteger da crise climática”, declarou. Ele qualificou 2024 como o ano mais quente já registrado e anunciou que a COP 30, em 2026, em Belém, será “a COP da verdade”.

Homenagem a Mujica e Papa Francisco

No fim do pronunciamento, Lula homenageou o ex-presidente uruguaio Pepe Mujica e o Papa Francisco, falecidos este ano, ressaltando seus “valores humanistas”. Segundo o presidente, ambos lembrariam que “o amanhã é feito de escolhas diárias” e conclamariam a agir contra “falsos profetas” que exploram o medo.

Com declarações firmes sobre democracia, clima e direitos humanos, Lula concluiu o discurso defendendo que “democracias sólidas vão além do ritual eleitoral” e dependem da redução das desigualdades e garantia dos direitos fundamentais.

Fonte: Agência Brasil

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.