Justiça mantém exigência de participação popular na revisão do Plano Diretor de Aracaju

Portal de Notícias Foco SE
3 Min Leitura

A Justiça Federal determinou que a Prefeitura de Aracaju cumpra integralmente a decisão que garante ampla participação da sociedade na revisão do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU). O projeto de lei só poderá seguir para a Câmara Municipal depois de comprovado que todo o processo ocorreu com transparência e respeito ao rito democrático.

A medida foi confirmada após o Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5) negar, em 2025, recurso apresentado pelo município. A ação civil pública foi protocolada pelo Ministério Público Federal (MPF) a partir da denúncia de mais de 40 entidades da sociedade civil que apontaram falhas graves na condução da revisão, entre elas a ausência de diagnósticos técnicos atualizados e a exclusão de comunidades tradicionais do mapeamento urbano.

Riscos ambientais e sociais

Segundo o MPF, o processo sem respaldo técnico colocava em perigo áreas de preservação permanente (APPs) próximas aos rios Sergipe e Vaza-Barris, além de manguezais. A Justiça considerou que a proposta inicial trazia mapas contraditórios e desatualizados, sem levantamento de fauna e flora, o que poderia favorecer adensamento urbano indevido em zonas de proteção.

A decisão também resguarda direitos de grupos tradicionais. O município deverá realizar consultas prévias, livres e informadas à comunidade quilombola Maloca, às Catadoras de Mangaba e a pescadores ribeirinhos, ausentes dos documentos originais.

Transparência e audiências públicas

Pelo despacho, a prefeitura precisa divulgar integralmente dados, planilhas e estudos utilizados na elaboração do plano. Todas as audiências deverão ocorrer em número proporcional aos bairros da capital, garantindo descentralização do debate. Canais virtuais de participação seguem obrigados a receber manifestações sem limite de caracteres.

O PDDU é previsto para municípios com mais de 20 mil habitantes e deve ser revisado a cada dez anos. Ele orienta ocupação do solo, transporte, habitação e infraestrutura.

Posicionamento da gestão municipal

Em nota, a Prefeitura de Aracaju informou que a decisão judicial se refere a processo ajuizado em 2022, o qual questionou a forma como a revisão vinha sendo conduzida. A atual administração declarou ter acolhido os termos da sentença, reconheceu falhas no procedimento anterior e informou que reiniciou a revisão do plano com o objetivo de garantir participação popular ampla.

Com a manutenção das obrigações, caberá ao município comprovar que cada etapa foi cumprida antes de encaminhar o texto final aos vereadores.

Com informações de Infonet

Compartilhe essa Notícia
Conta institucional do Foco SE. Assina as matérias produzidas ou editadas pela equipe do portal, quando não há assinatura individual. Correções, complementações e pedidos de direito de resposta podem ser enviados para contato@focose.com.br e são publicados com o mesmo destaque da matéria original, nos termos da Lei nº 13.188/2015.