As altas taxas de juros são um dos principais responsáveis pelo aumento do endividamento das famílias brasileiras, afirmou o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos. Em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), em 12 de maio de 2026, o ministro afirmou que o nível atual dos juros provoca uma “drenagem de recursos dos trabalhadores” para o sistema bancário e que isso não se resolve apenas com programas de educação financeira.
Boulos declarou que, sem redução expressiva da taxa de juros, será necessário ampliar o número de edições do programa Desenrola Brasil, criado para ajudar famílias a renegociarem dívidas. Segundo o ministro, o Desenrola já tem trazido resultados, mas não resolve o problema estrutural do endividamento enquanto os juros permanecerem elevados.
“Educação financeira é sempre bom, mas não adianta ter educação financeira com juros de 15% ao ano. Aí não tem educação financeira que resolva.”
O ministro criticou a velocidade de queda dos juros no país: se a redução ocorrer “a conta-gotas”, afirmou, a taxa só ficará em patamar razoável daqui a duas décadas. Boulos também comparou o cenário brasileiro com outros países, afirmando que nações com risco-país superior ao do Brasil cobram juros muito menores.
Na entrevista, ele citou comparações entre inadimplência e taxas de juros em operações semelhantes no Brasil e na Espanha: disse que a inadimplência média é de 4,2% no Brasil e 3,5% na Espanha, e que não encontra justificativa para que a taxa cobrada no Brasil por uma linha específica seja de 65%, enquanto na Espanha fica em 3%.
Limitações do programa
Boulos ressaltou que o Desenrola Brasil tem alcançado renegociações com descontos médios de 65% e limites de juros menores nas transações. Em apenas uma semana, o programa já havia registrado R$ 1 bilhão em renegociações, segundo o ministro. Mesmo assim, ele advertiu que a iniciativa é paliativa e que será preciso realizar mais edições se os juros não forem reduzidos.
Bets, dívidas e lavagem de dinheiro
Ao final da entrevista, o ministro relacionou o crescimento das apostas online ao agravamento do endividamento de famílias e apontou indícios do uso dessas plataformas para lavagem de dinheiro por organizações criminosas.
“As bets viraram uma epidemia. Não adianta nada você proibir o cassino no Brasil, se o cassino está ali, no seu filho, no quarto dele, fechado.”
Boulos afirmou que operações da Polícia Federal indicam envolvimento de sites de apostas em práticas de lavagem de dinheiro e criticou a carga tributária aplicada a essas empresas, dizendo que elas pagam apenas 12% de imposto enquanto profissionais como jornalistas chegam a 27,5% de Imposto de Renda.
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