Irã alerta para barril a US$ 200 enquanto conflito no Golfo eleva tensão global

Robson Alves
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TRANSMISSÃO: Band

O comando militar iraniano voltou a ameaçar o mercado de energia nesta quarta-feira (11) e afirmou que o mundo deve “preparar-se para o petróleo a US$ 200 o barril”. A declaração ocorreu no mesmo dia em que forças de Teerã atingiram navios mercantes no Golfo Pérsico, aprofundando um dos choques de oferta mais severos desde a década de 1970.

Segundo autoridades, três embarcações foram alvejadas: um graneleiro de bandeira tailandesa, um porta-contêineres japonês e um graneleiro registrado nas Ilhas Marshall. O ataque elevou para 14 o número de navios danificados desde o início da guerra desencadeada há quase duas semanas por bombardeios conjuntos de Estados Unidos e Israel. O conflito já provocou cerca de 2 mil mortes, a maioria de iranianos e libaneses, e espalhou-se pelo Líbano, afetando portos e corredores marítimos estratégicos.

Pressão sobre o Estreito de Ormuz

Não há indicações de tráfego seguro pelo Estreito de Ormuz, rota que escoa aproximadamente um quinto do petróleo global. Fontes de defesa informaram que o Irã posicionou uma dúzia de minas no canal, complicando qualquer tentativa de navegação. Washington advertiu Teerã a manter distância de terminais que abrigam a Marinha iraniana; em resposta, militares iranianos ameaçaram classificar centros econômicos regionais como “alvos legítimos” caso seus portos sejam atacados.

O presidente norte-americano Donald Trump relatou que forças dos EUA destruíram 28 navios iranianos usados para lançamento de minas. Apesar disso, ele afirmou à emissora Axios que o conflito “não deve durar muito” e que “quando eu quiser que ele termine, ele terminará”. O Departamento de Estado, porém, alertou para possíveis ofensivas iranianas contra infraestrutura energética de propriedade dos EUA no Iraque.

Mercados em alerta

Os preços do petróleo, que haviam tocado quase US$ 120 no início da semana antes de recuarem para cerca de US$ 90, subiam perto de 5% após a nova ofensiva marítima. A queda simultânea nos principais índices de Wall Street reflete a preocupação dos investidores com a continuidade dos combates. A Agência Internacional de Energia (AIE) recomendou a liberação de 400 milhões de barris de reservas estratégicas, ação já respaldada por Washington e classificada como a maior intervenção conjunta da história do órgão.

O secretário do Interior dos EUA, Doug Burgum, disse à CNBC que companhias petrolíferas americanas anunciarão em breve a expansão da produção para responder aos “sinais de preço”. Contudo, especialistas lembram que a velocidade de liberação das reservas varia entre os países e não compensa integralmente o volume que deixa de passar por Ormuz.

Ameaças terrestres e aéreas

A ABC News informou que o FBI teme ataques de drones iranianos à costa oeste dos Estados Unidos, embora Trump minimize a ameaça. Em solo iraniano, grandes funerais ocorreram para comandantes mortos em bombardeios. Multidões levaram caixões e retratos do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, morto nos primeiros dias da guerra, e de seu filho Mojtaba, ferido levemente.

Durante a madrugada, escritórios de um banco em Teerã foram atingidos. O porta-voz militar Ebrahim Zolfaqari prometeu retaliar contra bancos que façam negócios com Washington ou Tel Aviv e aconselhou civis no Oriente Médio a manter distância de mil metros dessas instituições. A polícia iraniana, por sua vez, advertiu que qualquer manifestação nas ruas será tratada como ato inimigo.

Israel mantém ofensiva “sem limite de tempo”

O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, declarou que as operações contra o Irã prosseguirão “pelo tempo necessário” até que todos os objetivos sejam alcançados. Uma autoridade militar de Tel Aviv confirmou que ainda existe uma “lista extensa” de alvos, incluindo mísseis balísticos e instalações nucleares. Ao mesmo tempo, líderes israelenses reconhecem reservadamente que o regime clerical pode resistir ao conflito.

Enquanto isso, voos comerciais evitam espaço aéreo da região e moradores de Teerã relatam acostumar-se a bombardeios noturnos e à “chuva negra” provocada pela queima de petróleo. “A vida continua”, disse Farshid, de 52 anos, à Reuters, resumindo o clima de incerteza que paira sobre a capital iraniana.

Com informações de Agência Brasil

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.