Irã afirma que cessar-fogo inclui Líbano e responsabiliza EUA e Israel por violações

Rafael Ramos
4 Min Leitura

Na última segunda-feira, 1º de junho de 2026, o Irã confirmou que o cessar-fogo em vigor entre o país e os Estados Unidos se estende a todas as frentes, incluindo o Líbano. Essa declaração foi feita pelo ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, após o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ordenar ataques aos subúrbios do sul de Beirute, controlados pelo Hezbollah.

“Uma violação em uma frente é uma violação do cessar-fogo em todas as frentes. Os EUA e Israel são responsáveis ​​pelas consequências de qualquer violação”, escreveu Araqchi em uma publicação nas redes sociais.

Esmaeil Baghaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, também comentou sobre os ataques israelenses no Líbano, afirmando que esses episódios contribuem para atrasar o processo diplomático que busca encerrar a guerra entre Teerã e Washington. Ele enfatizou que um cessar-fogo no Líbano é essencial para qualquer acordo futuro.

Netanyahu, junto com o ministro da Defesa, Israel Katz, ordenou que as Forças Armadas de Israel atacassem “alvos terroristas” na região de Dahiyeh, em Beirute, citando as “repetidas violações” do cessar-fogo pelo Hezbollah e os “ataques contra nossas cidades e cidadãos”. Desde o anúncio do cessar-fogo no Líbano em 16 de abril, Israel realizou apenas dois ataques na região, apesar da continuidade das hostilidades.

Além disso, a situação se agravou com a captura do Castelo de Beaufort, que tem 900 anos de história, por tropas israelenses, e a ampliação das operações terrestres na área. As autoridades libanesas relataram que mais de 3.370 pessoas perderam a vida no país desde o início dos ataques israelenses em 2 de março, quando o Hezbollah começou a disparar contra Israel em apoio ao Irã.

Israel, por sua vez, registrou a morte de 24 soldados e quatro civis no mesmo período. O país estabeleceu uma zona de segurança autodeclarada no sul do Líbano, onde tem realizado ataques a aldeias, justificando a ação como uma medida para proteger o norte de Israel de militantes do Hezbollah.

A guerra no Líbano se configurou como o desfecho mais sangrento do conflito entre os EUA e Israel contra o Irã, forçando mais de um milhão de pessoas a deixar suas casas. No domingo, 31 de maio, Netanyahu reiterou a ordem para expandir as operações terrestres visando um maior controle sobre áreas anteriormente dominadas pelo Hezbollah.

O Hezbollah, por sua vez, acusou Israel de violar o cessar-fogo e declarou seu direito de resistir à ocupação. O grupo afirmou ter realizado 21 operações no domingo, incluindo o lançamento de foguetes contra alvos israelenses.

Diante do aumento da violência, a França convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU. Os Estados Unidos têm promovido encontros entre representantes de Israel e do Líbano, apesar das objeções do Hezbollah. Um funcionário americano informou que o secretário de Estado, Marco Rubio, discutiu com líderes dos dois países uma proposta para uma “desescalada gradual” do conflito.

A proposta envolve o Hezbollah interrompendo todos os ataques contra Israel, enquanto Israel se comprometeria a não intensificar o conflito em Beirute, criando espaço para uma cessação efetiva das hostilidades. O presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, também se manifestou, afirmando que garantiria o compromisso do Hezbollah com um cessar-fogo, mas questionando quem responsabilizaria Israel por suas ações.

Compartilhe essa Notícia
Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.