Indústria brasileira atinge menor confiança em 5 anos

Rafael Ramos
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O setor industrial acumula 19 meses seguidos no pessimismo. O índice caiu para 44,4 pontos, nível só visto na pandemia em 2020.

A confiança da indústria brasileira recuou em julho, alcançando o menor nível em cinco anos, conforme dados divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) caiu 2,3 pontos, passando de 46,7 para 44,4 pontos. Esse é o patamar mais baixo desde junho de 2020, durante o auge da pandemia de covid-19.

Com este resultado, o indicador acumula 19 meses consecutivos abaixo da linha de 50 pontos, que separa confiança de falta de confiança. Essa sequência é a segunda mais longa de pessimismo na série histórica, ficando atrás apenas do período entre 2015 e 2016, que foi marcado por uma recessão econômica.

“Na medida em que se tem um período tão longo de pessimismo, isso se traduz em redução do número de empregados, da produção ou até cancelamento de investimentos produtivos”, afirmou Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI.

A deterioração da confiança em julho reflete tanto uma avaliação mais negativa das condições atuais quanto uma piora nas expectativas para os próximos meses.

O Índice de Condições Atuais recuou 0,7 ponto, atingindo 41,6 pontos, o que indica que os empresários percebem uma piora nos negócios e na economia em relação aos últimos seis meses.

Por sua vez, o Índice de Expectativas teve uma queda mais acentuada, de 3,1 pontos, alcançando 45,8 pontos. Essa é a maior retração desde novembro de 2022, evidenciando que a confiança em relação às próprias empresas está perdendo força e o pessimismo sobre a economia brasileira está se aprofundando.

“A piora das expectativas se deve, possivelmente, ao aumento das incertezas no cenário internacional, como o acirramento da guerra no Oriente Médio e a eventual retomada de tarifas americanas sobre produtos brasileiros”, avaliou Azevedo.

O ICEI varia de 0 a 100 pontos, onde valores abaixo de 50 indicam falta de confiança, enquanto números acima dessa marca sinalizam otimismo. Para esta edição, a CNI consultou 1.118 empresas entre os dias 1º e 7 de julho, sendo 442 de pequeno porte, 411 médias e 265 grandes.

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.